Histórico do Programa BIOTA-FAPESP
  1. 1996-1998
  2. 1999
  3. 2000
  4. 2001
  5. 2002
  6. 2003
  7. 2004

 

1996-1998: Articulação da Comunidade Científica e Concepção do Programa Biota/Fapesp

Ao longo do segundo semestre de 1996, o Grupo de Coordenação (GC) entrou em contato com pesquisadores de diversas especialidades para a elaboração de um diagnóstico para o Estado de São Paulo. Esse diagnóstico teve por objetivo avaliar: o nível do conhecimento sobre a biota paulista, a infra-estrutura de conservação "in situ" e "ex situ" do Estado de São Paulo e a qualificação e a distribuição dos pesquisadores que atuam na área. Estes documentos foram preparados durante o primeiro semestre de 1997 e o GC organizou, no final de julho, o Workshop "Bases para a Conservação da Biodiversidade do Estado de São Paulo" para consolidar estas revisões, preparar a sua publicação e definir a estratégia para a implantação de um programa na Fapesp.

Simultaneamente, o GC estabeleceu uma parceria com a Base de Dados Tropical (BDT) da Fundação Tropical de Pesquisas e Tecnologia "André Tosello" para a criação de uma rede eletrônica de comunicação. Através desta parceria, a BDT criou a homepage do BIOTA, publicou as revisões, criou uma lista de discussão e estabeleceu links com outras informações relevantes disponíveis na Internet. Desta forma, os pesquisadores que foram convidados para o workshop tiveram acesso a todos os documentos e discutiram amplamente, antes do evento, as questões mais críticas como por exemplo, a publicação "on line" de listas inéditas de espécies que ocorrem no Estado de São Paulo. Inicia-se com isso uma mudança cultural fundamental para o sucesso do programa: a cultura da pesquisa colaborativa, que teve na padronização dos dados mínimos a ferramenta necessária para viabilizar sua integração.

Do ponto de vista da implantação do programa, optou-se pela estratégia de apresentar à FAPESP um conjunto de Projetos Temáticos articulados em torno das premissas preconizadas pela Convenção sobre Diversidade Biológica, mas respeitando as peculiaridades específicas de cada sub-área do conhecimento. Ao final do workshop os pesquisadores foram orientados a encaminhar ao GC do Biota uma carta consulta, com um delineamento da temática, da equipe, dos objetivos e das metodologias, de uma proposta de pesquisa. O GC assumiu a tarefa de analisar o enquadramento das propostas com os objetivos do Biota definidos no workshop, bem como de promover uma articulação entre pesquisadores com projetos abrangendo uma mesma temática e/ou uma mesma região geográfica do Estado. As propostas foram também analisadas quanto ao enquadramento nos critérios da FAPESP para Projetos Temáticos.

O trabalho de articulação incluiu a realização de uma reunião com todos os coordenadores de projetos para garantir o máximo de entrosamento e convergência possíveis e aprofundar o vínculo destes com os objetivos do Biota. Na primeira fase do programa, 18 propostas de Projetos Temáticos foram encaminhadas à FAPESP e na segunda fase mais 6 propostas foram submetidas. As 24 propostas envolveram cerca de 200 pesquisadores doutores, 10 pós-doutorandos, 70 doutorandos, 65 mestrandos e 30 Bolsistas de Iniciação Científica vinculados às seguintes instituições do Estado de São Paulo:

  • UNESP: Araraquara, Assis, Botucatu, Jaboticabal, Rio Claro e São José do Rio Preto;
  • USP: Centro de Biologia Marinha/São Sebastião (CEBiMar), Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade/SP (FEA), Instituto de Biociências/SP (IB), Instituto de Ciências Biomédicas/SP (ICB), Instituto Oceanográfico/SP (IO), Instituto de Química/SP (IQ), Museu de Zoologia/USP (MZ), Escola Superior de Agricultura "Luiz de Queiroz"/Piracicada (ESALQ), da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP) e da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC).
  • UNICAMP: Centro de Biologia Molecular e Engenharia Genética (CBMEG), Centro Pluridisciplinar de Pesquisas Químicas, Biológicas e Agrícolas (CPQBA), Faculdade de Engenharia de Alimentos (FEA), Faculdade de Engenharia Agrícola (FEAGRI), Instituto de Biologia (IB), Instituto de Computação (IC), Instituto de Geociências, Núcleo de Estudos e Pesquisas Ambientais (NEPAM);
  • Universidade Federal de São Carlos/UFSCar
  • UNISANTOS
  • Instituições ligadas às Secretarias de Estado de São Paulo (Meio Ambiente e Agricultura): Instituto de Botânica (IBt), Instituto Florestal (IF), Instituto Geológico (IG), Fundação Florestal (FF), CETESB, Departamento Estadual de Proteção dos Recursos Naturais (DEPRN), PROBIO/SP e Instituto Biológico (IB).
  • o INPE: Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais
  • a EMBRAPA: Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária
  • ONGs, como a Fundação André Tosello, o Instituto Socioambiental e o Instituto Biodinâmico de Desenvolvimento Rural
Os projetos envolveram ainda cerca de 30 pesquisadores de outras instituições no país e 70 pesquisadores do exterior.

Todos estes projetos foram elaborados com o objetivo de aumentar significativamente o nível do conhecimento acadêmico sobre a biota do Estado de São Paulo e gerar resultados visando a produção de subsídios para a definição de políticas públicas na área da conservação e do uso sustentável da biodiversidade, além da ampliação do conhecimento científico na área.

Também nesta fase, estabeleceu-se que todos estes projetos estariam sendo integrados por meio de um projeto "guarda chuva", o Sistema de Informação Ambiental do Biota (SinBiota). O SinBiota deveria ser concebido de forma a permitir a alimentação dos dados por parte dos pesquisadores, integrando-os a uma base cartográfica em escala de 1:50.000. Todos os dados seriam de acesso público e gratuito via internet.

Para garantir a comparação dos dados e sua integração a uma base cartográfica, a comunidade científica, durante o workshop de Serra Negra (1997), definiu uma ficha de coleta padrão, contendo as informações georreferenciadas de cada coleta e as listas de espécies associadas.

Além da elaboração das propostas, durante todo o ano de 1998, os esforços concentraram-se na elaboração dos diagnósticos, que resultaram na publicação da série "Biodiversidade do Estado de São Paulo: Síntese do conhecimento ao final do Século XX". Esses foram frutos da articulação entre pesquisadores. Este processo incentivou novamente a cultura colaborativa e preparou as futuras equipes para a elaboração das propostas encaminhadas à FAPESP.
 

1999

Em março o Programa Biota/Fapesp é oficialmente criado e, entre março e dezembro, dos 24 projetos de pesquisa propostos,  15 estavam aprovados iniciando suas atividades e 7 em vias de aprovação pela FAPESP. Além destes, outros projetos foram apresentados com novas abordagens sobre o tema da conservação da biodiversidade, indicando a potencialidade do Programa.

No decorrer do ano de 1999, o Programa lançou, em papel e eletronicamente, toda a série de livros "Biodiversidade do Estado de São Paulo - Síntese do conhecimento ao final do século XX"; os projetos aprovados foram implementados e iniciou-se a coleta de dados, o desenvolvimento do Sistema de Informação Ambiental (lançado em dezembro de 1999) e a digitalização dos mapas.

Em novembro de 1999, o Programa Biota-FAPESP ganhou o 4o Prêmio Ford de Conservação Ambiental, na categoria "Iniciativa do Ano em Conservação". Este prêmio foi um grande incentivo à comunidade e reforçou a importância e relevância do Programa reconhecendo o enorme esforço para sistematizar, integrar e mapear as informações sobre a biodiversidade do Estado de São Paulo.

Ao final de 1999, foi realizada a I Reunião de Avaliação do Programa por um comitê externo indicado pela Fapesp, o Scientific Adivisory Comittee. Entre as recomendações do Comitê, destacamos a necessidade de integração entre os projetos, não apenas entre os coordenadores mas, principalmente, entre os alunos de graduação e pós-graduação.

2000

Nesse ano o Programa contava com 22 projetos aprovados, 14 em fase de avaliação e 11 em elaboração. Os projetos aprovados envolviam cerca de 500 pesssoas entre pesquisadores principais, convidados (do Brasil e estrangeiros) e alunos de graduação e pós graduação.

Também em 2000, iniciou-se inserção de dados no SinBiota por parte da comunidade científica. Esse fato deu maior visibilidade ao programa que teve um aumento significativo na procura pela vinculação de novos projetos. Teve início a articulação com outras áreas do conhecimento como a sociologia, antropologia e etnociências, em um esforço de incluir todas as áreas essenciais para a compreensão dos processos de conservação da natureza.

Baseados na recomendação do Scientific Adivisory Committee, foi organizado o I Simpósio do Programa Biota/Fapesp, no Parque Estadual de Intervales, reunindo cerca de 120 pessoas sendo o público alvo alunos de graduação e pós-graduação participantes dos projetos vinculados.  O evento foi organizado com o intuito de favorecer a integração das equipes dos diferentes projetos. Essa idéia de integração incluia, além da troca de dados e informações coletadas, o estreitamento das relações entre as pessoas e grupos envolvidos, visando a elaboração de um programa de pesquisas efetivamente multidisciplinar. Visou também evitar a duplicação de esforços, aumentando a complementariedade entre os projetos.

Imediatamente após o I Simpósio, foi realizada a II Reunião de Avaliação, novamente com a participação do Scientific Adivisory Comittee.

Em outubro de 2000 o trabalho de mapeamento do estado de São Paulo ganha o prêmio "Top de Ecologia 2000" da Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing do Brasil .

 

2001


No início do ano houve o lançamento do Atlas Biota/Fapesp, uma ferramenta que une os dados do SinBiota e os mapas do Estado de São Paulo, produzidos pelo Instituto Florestal e auditados pela Unicamp, permitindo o mapemanto das espécies coletadas e possibilitando um futuro desenvolvimento de ferramentas que permitam a previsão da distribuição dessas espécies.

Durante o ano de 2001 o gerenciamento da home page, do Sistema de Informação Ambiental e do Atlas Biota/Fapesp passa a ser feito pelo Centro de Referência em Informação Ambiental - CRIA em colaboração com o CNPTIA-Embrapa.

Neste ano, o número de projetos aumentou para 34, sendo 12 auxílios à pesquisa e 22 projetos temáticos. A revista Biota Neotropica é lançada com o objetivo de divulgar as pesquisas científicas relacionadas com caracterização, conservação e uso sustentável da biodiversidade da região neotropical.

Em dezembro foi relizado o II Simpósio do Programa Biota/Fapesp com a participação de 160 pesquisadores sendo apresentados 90 resumos. Imediatamente após o II Simpósio é realizada a III Reunião de Avaliação com a participação do Scientific Adivisory Committee.

2002


O ano de 2002 foi marcado pela necessidade, levantada pelos pesquisadores, de começar a realizar breves sínteses de todo o trabalho desenvolvido pelos projetos vinculados ao Programa Biota/Fapesp, procurando evidenciar as contribuições que o Programa trouxe para o avanço do conhecimento em termos de caracterização, conservação e uso sustentável da biodiversidade do estado de São Paulo. Com base neste objetivo foi organizado o I Workshop de Síntese e o III Simpósio do Programa Biota/Fapesp, onde foram discutidos os seguintes temas:
1) Inventários bióticos: o que mudou no estado do conhecimento de 1997 a 2002 - cobertura taxonômica, biogeográfica e ecológica.
2) Conservação - avaliação do conhecimento e indicadores
3) Correlação, integração e análise de padrões de distribuição.
4) Aplicações: prospecção, sustentabilidade.
5) Aplicações: divulgação, educação, turismo.
6) Biodiversidade e funcionamento de ecossistemas

Durante o evento os pesquisadores elaboraram uma moção endereçada ao Conselho de Gestão do Patrimônio Genético/CGEN, Ministério do Meio Ambiente. Neste documento, os pesquisadores vinculados ao Programa Biota/Fapesp apontam os reflexos perversos para a pesquisa científica da biodiversidade, das regras estabelecidas pela Medida Provisória No. 2.186-16 de 23 de agosto de 2001, pelo Decreto No. 3.945 de 28 de setembro de 2001 e pelas Resoluções do Conselho de Gestão do Patrimônio Genético/CGEN. Além disso, propõem mudanças no CGEN e na lei com o sentido de evitar a perda de credibilidade e eficácia da legislação no tocante ao uso tecnológico ou comercial da biodiversidade e na justa repartição de seus benefícios, bem como na repressão à biopirataria, porém, sem interferir com a pesquisa científica.

2003


O número de projetos de pesquisa financiados dentro do Programa Biota/Fapesp chega a 36 e se verifica cada vez mais a necessidade de discussões e propostas de integração entre esses projetos. O ano de 2003 é de continuação das discussões iniciadas em 2002, de finalização de alguns grandes projetos que iniciaram suas pesquisas juntamente com a criação do Programa e da chegada de muitos novos projetos e, consequentemente, de novas propostas de integração e discussão.
É o ano da criação da BIOprospecTA uma rede de pesquisa, dentro do Programa Biota/Fapesp, uma iniciativa que visa organizar a demanda e a utilização de recursos na grande área do conhecimento que a temática bioprospecção abrange. Essa rede tem por objetivo criar uma grande matriz de informações que correlacione as diferentes espécies (e suas partes, como extratos, frações, substâncias puras, genes, proteínas e outras biomoléculas) com o maior número possível de ensaios de atividades de interesse aplicado.

2004

O ano de 2004 é de comemoração dos 5 anos de criação do Programa Biota/Fapesp. Livros com resultados de alguns projetos vinculados foram lançados e alguns eventos realizados para essa grande comemoração. A principal meta foi a divulgação dos resultados de pesquisa até então conseguidos.
Os livros lançados por ocasião desta data foram:

- Flora Ficológica do Estado de São Paulo - Volume 5 - Charophyceae, de M. Marcina Picelli-Vicentim, Carlos E. de M. Bicudo e Norma C. Bueno

- Estação Ecológica Juréia-Itatins Ambiente Físico, Flora e Fauna, de Otávio A. V. Marques & Wânia Duleba

- Plantas do Cerrado Paulista: Imagens de uma paisagem ameaçada, de Giselda Durigan, João Batista Baitello, Gerado A.D.C. Franco e Marinez F. Siqueira

Ainda como parte das comemorações dos 5 anos foi organizada a Exposição fotográfica "Biodiversidade do estado de São Paulo: Cores e Sombras" que contou com a colaboração de praticamente todos os pesquisadores vinculados. A mostra tem como objetivo transmitir ao público leigo e a estudantes do ensino fundamental e médio informações sobre a Mata Atlântica e Cerrado, os dois grandes biomas paulistas. Textos didáticos, mapas e imagens de satélites mostrarão aos visitantes a distribuição espacial dos ambientes aquáticos, centros urbanos e da vegetação nativa remanescente.

A exposição foi o resultado de uma parceria do Programa BIOTA/FAPESP com a Editora Horizonte Geográfico e o Serviço Social do Comércio (SESC), com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (FAPESP) e do Citigroup e patrocínio da Natura Cosméticos.
Inaugurada no Espaço Cultural Citigroup na Av. Paulista em junho, a mostra foi também levada a periferia de São Paulo (SESCs Interlagos e Itaquera, além do Museu da Madeira no Instituto Florestal) e depois rodou o interior do estado de São Paulo durante seis meses, passando por Campinas, Ribeirão Preto e São José do Rio Preto. Finalmente, em janeiro de 2005 foi definitivamente incorporada ao acervo da Estação Ciência da USP, na cidade de São Paulo.
Em agosto o Dr. Carlos A. Joly , que coordenou o BIOTA/FAPESP desde a 1996 quando ele começou a ser planejado e implantado, deixou a Coordenação do Programa para reassumir o Laboratório de Ecofisiologia Vegetal do IB/UNICAMP. O Dr. Ricardo R. Rodrigues, do Laboratório de Ecologia e Restauração Florestal, do Departamento de Ciências Biológica da ESALQ/USP assumiu a Coordenação do Programa BIOTA/FAPESP em setembro.



Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, FAPESP
Centro de Referência em Informação Ambiental, CRIA