Workshop: Bases para a Conservação da Biodiversidade do Estado de São Paulo

Conclusões do Workshop

Cabe ressaltar desde já que o BIOTASP é um programa aberto que tem como objetivo básico estimular uma maior integração e complementariedade nas pesquisas desenvolvidas nesta vasta área do conhecimento, genericamente denominada de Conservação da Biodiversidade do Estado de São Paulo. A participação no programa não é, de forma alguma, restrita aos participantes do workshop e autores/co-autores das revisões, pelo contrário, gostaríamos de estimular ao máximo a participação de todos os interessados e estaremos criando e divulgando os mecanismos para viabilizar a incorporação de pesquisadores ou grupos de pesquisadores ao BIOTASP.

A estrutura do workshop, com os participantes trabalhando inicialmente em Grupos Sistemáticos, posteriormente se re-agrupando em Grupos Geográficos e finalmente se re-agrupando novamente em Grupos Temáticos, permitiu um elevado grau de integração e de consenso em relação às necessidades básicas para implantação do BIOTASP. O fato de todos os participantes terem recebido e/ou acessado via Internet as revisões preparadas para o workshop, a troca de idéias através da Lista de Discussão e as apresentações feitas pelos convidados estrangeiros contribuíram significativamente para a maturidade das discussões e a importância das decisões tomadas em Serra Negra.

Esta integração e a troca de informações sobre as peculiaridades de cada grupo taxonômico permitiram que nas sessões plenárias as discussões se concentrassem nos aspectos macro de um programa de pesquisas voltado para a conservação da biodiversidade. A apresentação dos relatórios de cada grupo em Reuniões Plenárias permitiu uma discussão conjunta dos tópicos mais relevantes em cada etapa e preparou os pesquisadores para as discussões nos Grupos Temáticos, portanto, as conclusões do workshop são a síntese dos pontos principais aprovados em cada sessão plenária.

DECISÕES REFERENDADAS PELA PLENÁRIA DOS GRUPOS SISTEMÁTICOS

  1. Estimular a divulgação imediata, via Internet, das listas de espécies da biota do Estado de São Paulo já existentes, mesmo que incompletas e sujeitas a correções [na apresentação da lista o(s) autor(es) deve(m) fazer as ressalvas que considerar (em) imprescindíveis quanto ao dados que estão sendo disponibilizados). Esta disponibilização foi recomendada no relatório final de todos os grupos e foi considerada como uma ferramenta essencial para o livre intercâmbio de informações, divulgação do conhecimento e estímulo à pesquisa, mas a decisão final quanto à disponibilização "on line" será sempre do(s) pesquisador(es) que detem as informações.
  2. A plenária fixou 15 de novembro de 1997 como data limite para entrega, ao respectivo Coordenador de Grupo, da versão final das revisões preparadas para o workshop, visando a sua publicação sob a forma de um livro, além da disponibilização eletrônica. Até lá, estas revisões serão revistas, complementadas e padronizadas no âmbito de cada Grupo Sistemático, uma vez que se mostrou inviável se determinar um padrão único (por exemplo: todas as revisões do Grupo de Vertebrados terão um mesmo padrão, assim como todas as revisões do Grupo Briófitas, Pteridófitas e Fanerógamas terão um mesmo padrão, que poderá ser diferente do anterior). No início de cada revisão haverá um formulário padrão, igual para todas as revisões, com um sumário numérico das informações pertinentes ao grupo. Estas revisões não conterão listas de espécies, que, pelo menos nesta etapa inicial, serão disponibilizadas apenas por meios eletrônicos.

DECISÕES REFERENDADAS PELA PLENÁRIA DOS GRUPOS GEOGRÁFICOS

A utilização dos mapas, em escala 1:250.000 (com a distribuição das formações vegetais, segundo a classificação do IBGE de 1988; os remanescentes florestais e ecossistemas associados em 1990; curvas de nível; as principais bacias hidrográficas; os limites municipais; as cidades e as estradas principais; os centros de conservação "ex-situ"; e as unidades de conservação) produzidos em colaboração com o Instituto Socioambiental/ISA, evidenciou a imperiosa necessidade de uma padronização na coleta de dados daqui para frente:

  1. definir uma ficha padrão para coleta de dados daqui para frente. Esta ficha teria um conjunto de dados mínimos idênticos para todos os grupos taxonômicos complementada por informações que são específicas para cada grupo de organismos. Dentre os campos mínimos estaria a padronização de macro e micro habitats. Uma primeira versão desta está disponível on-line e as sugestões para alterações, correções, inclusões, etc... podem ser enviadas para cjoly@obelix.unicamp.br até 20 de agosto pf.
  2. O uso de GPS nas coletas daqui para frente foi considerado imprescindível por todos os grupos.
  3. É imprescindível o desenvolvimento de um projeto com o objetivo específico de delinear um Sistema Geográfico de Informações para o BIOTASP, incluindo a revisão, atualização e disponibilização impressa e via Internet da Carta de Topônimos e das Cartas Náuticas do Estado.

DECISÕES REFERENDADAS PELA PLENÁRIA DOS GRUPOS TEMÁTICOS

O documento do Grupo Estratégia e Síntese apresenta um detalhamento dos objetivos e dos meios & produtos do BIOTASP. Cabe ressaltar entretanto que a Plenária Final referendou as decisões das duas plenárias anteriores e definiu a seguinte estratégia de implantação do programa:

  1. O programa será implantado sob a forma de um conjunto de Projetos Temáticos articulados que serão submetidos à FAPESP simultaneamente em 15 de abril de 1998. Portanto, os pesquisadores interessados em participar do BIOTASP devem se organizar em grupos de afinidade taxonômica, geográfica ou temática para a elaboração dos Projetos Temáticos
  2. No sentido de garantir uma articulação entre os projetos, definiu-se a seguinte metodologia:
    1. os grupos interessados em participar do programa devem encaminhar, até 30 de setembro de 1997, ao Grupo de Coordenação do BIOTASP, um documento com o título do projeto, equipe potencialmente envolvida e os objetivos do projeto definindo claramente o escopo taxonômico, geográfico, temático e conceitual do projeto;
    2. ao longo de outubro de 1997 o Grupo de Coordenação analisaria as possibilidades de articulação destas propostas fazendo, quando necessário, discussões entre os pesquisadores envolvidos para garantir um máximo de entrosamento e complementaridade entre os projetos;
    3. terminada esta fase, até 30 de março de 1998, os projetos seriam efetivamente escritos e detalhados no moldes exigidos pela FAPESP, incluindo-se uma carta compromisso dos participantes de seguirem as determinações do workshop no sentido de utilizar a Ficha Padrão de Coleta de Dados, inclusive no que tange ao uso de GPS para a localização das coletas e de disponibilização eletrônica das informações;
    4. os projetos prontos para serem submetidos à FAPESP seriam encaminhados ao Grupo de Coordenação do BIOTASP, que analisaria os projetos e escreveria um documento único, que acompanharia todos os projetos, mostrando a articulação e complementaridade entre as propostas. No dia 15 de abril de 1998 os Coordenadores dos Projetos Temáticos e o Grupo de Coordenação do BIOTASP farão a entrega formal dos projetos na FAPESP, que os encaminhará em conjunto para a Coordenação de Área fazer a indicação de assessoria para a análise de mérito, respeitando a articulação e complementaridade dos projetos. Idealmente, todos os projetos aprovados iniciarão em 01 de julho de 1998. A viabilidade destes procedimentos por parte da FAPESP foi assegurada pelo Diretor Científico Prof. Dr. José Fernando Perez, que participou da plenária de encerramento do workshop.
    5. é importante ressaltar que, em nenhum momento, o Grupo de Coordenação do BIOTASP fará análises de mérito de propostas e/ou projetos, nem tampouco terá o poder de vetar qualquer solicitação. Cabe ressaltar, também, que a apresentação de propostas e/ou projetos não se restringe aos participantes do workshop e que não haverá nenhuma distinção entre propostas e/ou projetos apresentados por pesquisadores que já estão envolvidos com o BIOTASP e os que vierem a se envolver daqui para frente.

A plenária referendou também a necessidade de mantermos e ampliarmos a Lista de Discussão "on line" associada ao BIOTASP como o mecanismo de intercâmbio da comunidade interessada no programa. A Lista se mostrou um mecanismo eficaz e importante na fase pré-workshop e cabe a nós transformá-la em um fórum permanente de discussões e intercâmbio de informações.



Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, FAPESP
Centro de Referência em Informação Ambiental, CRIA