Workshop: Bases para a Conservação da Biodiversidade do Estado de São Paulo

Avaliação de Hubert Höfer

Staatliches Museum für Naturkunde
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Gostaria de apresentar a minha avaliação em duas partes: primeiro, da organização e estruturação do meeting preliminar e do próprio workshop em Serra Negra; segundo, do conteúdo do trabalho em grupos, das apresentações, dos resultados e das discussões.

  1. A organização do evento, em resumo, foi extraordinariamente boa, principalmente quanto à parte técnica das apresentações, projeção de data-shows direto do computador, disponibilidade e funcionamento do projetor de slides e do retroprojetor em ambos os lugares e a ligação à Internet na Fundação André Tosello. A assistência foi máxima. Vale mencionar a disciplina no decorrer das apresentações, rigorosamente pedida pelos organizadores e completamente mantida pelos palestrantes e até mesmo pelos grupos de discussão.

    Como uma pequena crítica queria mencionar que em Serra Negra os convidados estrangeiros nem sempre ficaram bem informados sobre o próximo passo e a necessidade ou oportunidade de apresentar palestras ou participar das discussões.

  2. As apresentações dos convidados foram de um nível muito alto, tecnicamente e cientificamente e deram uma boa visão da tarefa e dos problemas a serem enfrentados. Apesar da grande dificuldade de aplicar grandes programas nacionais de outros países no Brasil ou no estado de São Paulo, eu considero o passo de procurar informações deste tipo muito profissional. A equipe que preparou o evento pareceu muito bem preparada e informada sobre os assuntos, o que tornou as discussões bastante valiosas.

    Quanto a minha própria apresentação espero ter contribuído, apesar de ter mostrado apenas um exemplo de um pequeno projeto de pesquisa (com poucos pesquisadores e pouca verba), realizado no Brasil. De certa maneira, este projeto ecológico é típico para atuais e futuros trabalhos, com alvo na descrição e avaliação da diversidade de um grupo de artrópodos, partindo de um inventário inicial, com a importante tarefa de identificar e até descrever as espécies coletadas, antes de entrar em assuntos puramente ecológicos. Procurei mostrar como a cooperação de ecólogos e taxônomos enriquece os resultados e as conclusões.

Quanto ao programa BIOTASP tenho a impressão que é um programa muito ambicioso, mas seguindo pelo caminho iniciado e juntando as forças científicas do estado de São Paulo e de todas as instituições envolvidas em questões de conservação, o considero realizável. Espero que recebam a confirmação e a sustentação financeira da FAPESP, do CNPq e outros órgãos.

O BIOTASP servirá como exemplo positivo, animando as iniciativas de pesquisadores de outras regiões do Brasil e do mundo. Pessoalmente, eu gostaria de expressar o maior apoio para melhorar a situação empregatícia e financeira dos museus e coleções, como clássicas instituições de inventarização, descrição e conservação da biodiversidade.

Acho extremamente importante a informatização das coleções e a inclusão de dados geográficos e ecológicos nos registros da coleção. Será necessária a cooperação de taxônomos, ecólogos e do pessoal da informática. Bons exemplos desta cooperação foram dados no workshop.

O importante seria convencer os "decision makers" da necessidade da criação de novos empregos em museus (taxônomos), universidades (ecólogos, bioinformáticos), órgãos de conservação, etc.

Desta maneira, desejo o maior successo para seu trabalho e o programa BIOTASP.

Cordialmente,

Dr. Hubert Höfer
Pesquisador no projeto SHIFT ENV 52 "Fauna de solo e decomposição"
Staatliches Museum für Naturkunde Karlsruhe - EMBRAPA/CPAA, Manaus


Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, FAPESP
Centro de Referência em Informação Ambiental, CRIA