Workshop: Bases para a Conservação
da Biodiversidade do Estado de São Paulo
Grupo Sistemático - Angiospermas, Gimnospermas, Pteridófitas
e Briófitas
Coordenação: George J. Shepherd & Inês
Cordeiro
Estiveram presentes à reunião: O. Yano; J.
Prado; G.Durigan; J.B. Baitello; R.R. Rodrigues;
J.R. Pirani; D. Santin; M. Siqueira e C.M. do A. Azevedo.
- Foram detectadas algumas lacunas nos documentos preliminares
e foram designadas pessoas para completar as informações
que faltam. O prazo estabelecido para entrega deste material
foi 10/10/97.
- O grupo discutiu diversos aspectos da homogeneização
dos documentos, sentindo algumas dificuldades com certas partes
do padrão sugerido:
- habitat
Como grupo sistemático, as angiospermas
têm distribuição ecológica muito ampla
e é difícil detalhar habitats sem descer ao nível
de espécie. De fato, o único ambiente onde este
grupo não é comum é no ambiente marinho e,
mesmo aqui, existem algumas espécies. As pteridófitas
e briófitas têm distribuições um pouco
mais restritas mas, mesmo assim, ainda ocorrem numa grande diversidade
de ambientes. Sentimos que informações sobre ambiente
ao nível de grupo inteiro são pouco úteis
neste caso.
- Padrões de distribuição geográfica
A nível de grupo maior (angiospermas, pteridófitas
e briófitas), a amplitude das distribuições
de novo é muito grande e todos estes grupos ocorrem praticamente
no estado inteiro. Para as angiospermas e gimnospermas é
possível fornecer algumas informações a nível
de município e estas informações podem ser
incluídas na lista de espécies que será colocada
na rede. Estas informações não estão
disponíveis para pteridófitas e briófitas.
O grupo concluiu que, no momento, não é possível
produzir uma análise dos tipos de distribuições
encontrados dentro destes grupos de plantas, pois isso necessitaria
muito tempo para completar e não seria viável na
atual fase.
- Endemismo, espécies ameaçadas, espécies
invasoras e introduzidas
O grupo discutiu longamente a inclusão
de listas de espécies endêmicas e ameaçadas
no documento, chegando à conclusão que seria difícil
produzir listas deste tipo dentro do prazo previsto. No caso
de espécies ameaçadas, sentiu-se muita dificuldade
para estabelecer critérios aceitáveis para designar
uma espécie ameaçada e foi consenso no grupo que
seria muito perigoso tentar produzir uma lista destas espécies
que inevitavelmente seria muito incompleta e sujeita a modificações.
- Estratégias de preservação
Foi consenso
no grupo que a preservação dos organismos discutidos
aqui depende de proteção e conservação
in situ de ecossistemas inteiros. Embora seja possível
preservar uma certa porção de biodiversidade e diversidade
genética de angiospermas e gimnospermas em coleções
ex situ, não é possível preservar
amostras de todas as espécies que ocorrem no estado (ca.
8500). Para pteridófitas e, mais ainda, no caso das briófitas,
esta opção não é viável, pois
pouquíssimas espécies de briófitas têm
sido cultivadas com sucesso e não existe qualquer exemplo
de coleção mais extensa mantida ex situ.
Neste grupo, a destruição de ambientes naturais
resulta em perda total de praticamente todas as espécies
de briófitas que ocorriam no ambiente, e como este grupo
ainda é relativamente pouco estudado, não se sabe
que proporção das briófitas que originalmente
existiam no estado de São Paulo já foi perdida devido
a destruição de ambientes naturais. O grupo recomenda
especial atenção e apoio nos seguintes itens:
- preservação de ambientes naturais inteiros
- apoio e ampliação de coleções ex
situ - jardins botânicos, etc.
- recuperação de áreas degradadas com espécies
nativas, tentando recriar vegetação parecida com
a vegetação natural, especialmente em volta de áreas
que já são reservas
- levantamento e proteção de fragmentos florestais
- estudos da biologia, dinâmica e autecologia de espécies
individuais de impotância ecológica
- fiscalização e proteção real e
efetiva das unidades de conservação atuais
- importância econômica
O grupo sentiu que
teria muito dificuldade para fazer um levantamento confiável
do valor econômico das diversas formas de utilização
destas plantas (por ex. madeiras, plantas medicinais, plantas
comestíveis, etc.). Não conseguimos localizar fontes
de informações que permitiriam uma estimativa do
valor monetário destas formas de exploração.
Notou-se a ausência quase total de fiscalização
e acompanhamento de projetos de bioprospecção e
os representantes da SEMA presentes indicaram que têm grande
dificuldade de obter assessoria para julgar pedidos de pesquisa
e exploração nesta área. Recomendamos o
estabelecimento de mecanismos mais eficientes e mais completos,
a nível estadual, para acompanhar este tipo de pesquisa
que tem potencial econômico muito grande.
- Grau de representatividade das coleções
Foram discutidos alguns aspectos do grau de representatividade
das coleções concluindo-se que, para angiospermas,
as coleções atuais ainda estão muito abaixo
do nível necessário para representar adequadamente
a biodiversidade deste grupo, no estado. Existem poucas regiões
do estado que atingiram uma densidade de coleta suficiente para
concluir que são bem conhecidas botanicamente e existem
grandes partes do estado com poucas ou nenhuma coleta. É
necessário melhorar consideravelmente a distribuição
e intensidade de coletas. Estas conclusões serão
discutidas mais amplamente em outro documento ainda em preparação.
- Os participantes chegaram ao consenso de que as listas de
espécies disponíveis atualmente devem ser colocadas
para consulta em forma eletrônica ( na Internet), mas que
não compensaria publicar as atuais listas em forma de livro.
No momento, dispõe-se de uma lista relativamente completa
das angiospermas e gimnospermas produzida pelo projeto "Flora
Fanerogâmica do Estado de São Paulo", uma lista
ainda muito incompleta das pteridófitas e uma lista relativamente
completa das briófitas. Os respectivos autores estariam
dispostos a tornar estas listas públicas em forma eletrônica.
- A unidade natural para dados de distribuição
geográfica para a maioria de coletas é o município.
Com a crescente disponibilidade de aparelhos GPS, recomendamos
que quaisquer atividades de coleta daqui em diante devem, até
onde for possível, utilizar este tipo de aparelho para
dar um erro de, no máximo 100 m, na localização
de coletas.
|