Workshop: Bases para a Conservação da Biodiversidade do Estado de São Paulo

Estratégia e Síntese

Relator: Thomas Lewinsohn

Participaram da reunião:

  • Carlos Alfredo Joly, IB/UNICAMP
  • Bráulio Ferreira de Souza Dias, MMA
  • Thomas Michael Lewinsohn, IB/UNICAMP
  • Eurico Cabral de Oliveira Filho, IBUSP
  • Cláudio Gonçalves Tiago, CEBIMar-USP
  • Naércio Aquino Menezes, MZUSP
  • Maria Cecília Wey de Brito, PROBIO/SP-SMA
  • Takako M. Tundisi, UFSCar
  • Cristina Maria do Azevedo Amaral, PROBIO/SP-SMA
  • João Batista Baitello, IF-SMA
  • Wagner Cotroni Valenti, CAUNESP (Jabotical)
  • Deborah Ismael, CAUNESP (Jaboticabal)
  • Mirna J. L. Godinho, UFSCar

Este grupo teve a incumbência de delinear o protótipo de um programa de biodiversidade, atendendo às opções de financiamento e suporte por diferentes agências. Em seu trabalho, procurou incorporar os pontos mais relevantes dos grupos de trabalho precedentes, para depois serem consolidados com as conclusões relatadas por estes grupos.

Foram delineados:

  1. um elenco de objetivos
  2. meios para atingí-los e produtos propostos pelo programa.
As listas de objetivos, meios e produtos não são exaustivas. Sua finalidade é caracterizar o programa pretendido. Deverão ser futuramente revistas e completadas. Além disto, deverão ser especificados metas e produtos de curto, médio e longo prazo, desdobrando os objetivos e produtos abaixo indicados.

OBJETIVOS

  1. Estudar e conhecer a biodiversidade do Estado de São Paulo e divulgar este conhecimento e sua importância.
  2. Compreender os processos geradores, mantenedores e impactantes da biodiversidade.
  3. Ampliar a capacidade do Estado e organizações públicas e privadas de gerenciar, monitorar e utilizar sua biodiversidade.
  4. Avaliar a efetividade do esforço de Conservação no Estado, identificando áreas e componentes prioritários para Conservação.
  5. Desenvolver bases metodológicas e padrões de referência para estudos de impacto ambiental.
  6. Produzir estimativas de perda de biodiversidade em diferentes escalas espaciais e temporais
  7. Subsidiar a tomada de decisão sobre projetos de desenvolvimento, especialmente os de desenvolvimento sustentável.
  8. Capacitar o Estado e organizações públicas e privadas para se beneficiar do uso sustentável de seus recursos biológicos e genéticos.
  9. Capacitar o Estado para estimar o valor da biodiversidade e seus serviços, tais como conservação de recursos hídricos, controle biológico, etc.
  10. Capacitar as instituições do Estado a atender a disposições e instrumentos legais referentes a organismos vivos, tais como o depósito de espécimes.
  11. Melhorar a qualidade do ensino de Ciências e Educação Ambiental formal e não formal, quanto ao conhecimento, conservação e utilização da diversidade biológica.
  12. Mobilizar a sociedade em prol do conhecimento, conservação e utilização sustentável da biodiversidade.
  13. Contribuir para a implantação da Convenção da Diversidade Biológica no Estado e inseri-lo em esforços estaduais, em particular o PROBIO/SP, nacionais e internacionais de conhecimento, conservação e uso sustentável de biodiversidade.

MEIOS E PRODUTOS

  1. Consolidação da infraestrutura de coleções e acervos em museus, herbários, jardins botânicos, zoológicos, bancos de germoplasma etc., equiparando-os a padrões internacionais quanto a tamanho de acervo; qualidade da manutenção e organização; informatização; curadoria; realização de exposições, divulgação e produção de publicações; designação de pelo menos uma coleção de referência para cada grupo de organismos.
  2. Informatização de todos os acervos e coleções científicas do Estado, e estabelecimento de uma rede de informação em biodiversidade entre todas as instituições envolvidas com a pesquisa e conservação de biodiversidade no Estado.
  3. Adequação e disponibilização de bases cartográficas e imagens para subsidiar pesquisas em biodiversidade.
  4. Consolidação da infraestrutura e serviços de apoio para pesquisa das Unidades de Conservação.
  5. Dotar as Unidades de Conservação do Estado do conhecimento sobre a biodiversidade necessário para seu manejo adequado.
  6. Produção e divulgação de check-lists de toda a biota conhecida do Estado.
  7. Produção de chaves de identificação, catálogos e monografias de revisão, e sua publicação impressa e / ou eletrônica para os grupos melhor conhecidos.
  8. Avaliação da representatividade das Unidades de Conservação existentes no Estado e identificação de áreas prioritárias para a ampliação ou o estabelecimento de novas Unidades de Conservação.
  9. Desenvolvimento de inventários e estudos para preencher lacunas de conhecimento, taxonômicas e geográficas, sobre a diversidade biológica do Estado.
  10. Desenvolvimento de projetos de pesquisa para o entendimento da organização espacial e temporal da diversidade biológica, e dos processos que afetam sua manutenção.
  11. Desenvolvimento de estudos comparativos e retrospectivos para estimar perdas de biodiversidade no Estado, tanto de espécies como de habitats e ecossistemas.
  12. Desenvolvimento de projetos especiais sobre problemas ostensivos que afetam a conservação da biodiversidade no Estado, tais como os efeitos e conseqüências da fragmentação ambiental sobre a biodiversidade.
  13. Desenvolvimento de projetos experimentais e comparativos sobre impacto ambiental, tais como estudos no padrão "antes/ depois / controle / impacto"; utilizando-os para monitorar as conseqüências de obras e projetos ambientais e para estabelecer padrões de referência para avaliação de impacto ambiental no tocante à diversidade biológica.
  14. Desenvolvimento de projetos piloto de bioprospecção, interfaceando com outros programas com interesses semelhantes ou correlatos.
  15. Desenvolvimento de padrões, rotinas e infraestrutura para atender a demandas de depósito legal.
  16. Aumento do número de taxonomistas no Estado de acordo com a extensão da biota do Estado e com a crescente demanda de serviços.
  17. Formação de recursos humanos, em nível médio e superior, em áreas básicas para subsidiar o estudo da biodiversidade.
  18. Incentivo ao desenvolvimento de profissionais em novas áreas de conhecimento ou em novas interfaces, tais como bioinformática ou como a aplicação de sistemas geográficos de informação à biologia.
  19. Promoção de cursos especiais intensivos em taxonomia; em métodos de coleta e inventários; em métodos de análise, etc.
  20. Aumento do número e adequação da duração de bolsas, especialmente as de apoio técnico, de recém-doutor e de jovem pesquisador, conforme a demanda específica do programa.
  21. Aumento do contingente de profissionais contratados em todos os níveis nos órgãos de pesquisa e ensino e Unidades de Conservação.
  22. Firmar acordos e compromissos institucionais que garantam o engajamento e a continuidade de projetos de pesquisa, organização e manutenção de acervos.
  23. Criação e montagem de exposições didáticas sobre biodiversidade.
  24. Produção de materiais de divulgação e apoio ao ensino, tais como guias de campo e guias de identificação.


Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, FAPESP
Centro de Referência em Informação Ambiental, CRIA