| Equipe | | Claudio Pádua (PhD, Departamento de Ecologia, Universidade
de Brasília)
Cristina Simonetti (PhD, Departamento de Ecologia, Universidade
de São Paulo)
Daniela Ferraz (MSc, Departamento de Botânica, Universidade
de Campinas)
Eduardo Catharino (MSc, Instituto de Botânica, São
Paulo)
Flávio dos Santos (PhD, Departamento de Botânica,
Universidade de Campinas)
Giselda Durigan (PhD, Instituto Florestal, Assis)
Geraldo A. D. Correa Franco (Instituto Florestal, São
Paulo)
Henri Décamps (PhD, Université Paul Sabatier,
Toulouse, França)
Jacques Vielliard (PhD, Departamento de Zoologia, Universidade
de Campinas)
Luciana Alves (PhD, Departamento de Ecologia, Universidade de
São Paulo)
Luis Carlos Bernacci (PhD, Instituto Agronômico de Campinas)
Silvana Buzato (PhD, Departamento de Ecologia, Universidade
de São Paulo)
Sílvio Simões (PhD, Universidade do Estado de
São Paulo, Guaratinguetá)
Vânia Regina Pivello (PhD, Departamento de Ecologia, Universidade
de São Paulo) |
| Resumo | | A fragmentação de habitats é um dos mais sérios
problemas ecológicos da atualidade. Na região tropical, um
grande número de espécies está sendo perdido antes
mesmo de serem conhecidas pela ciência. Visto que os habitats fragmentados
corresponderão à situação padrão no
futuro, serão necessárias ações de manejo do
ambiente para evitar a erosão da diversidade biológica e
dos benefícios inerentes a ela.
Este projeto pretende estudar alguns efeitos da fragmentação
em uma paisagem formada por fragmentos de floresta Atlântica em estádio
secundário de sucessão (23o35'S, 23o50'S; e 46o45'W, 47o15'W),
além de fornecer as bases ecológicas para o manejo regional,
de forma a promover a persistência do maior número de espécies
na paisagem. Os objetivos principais deste projeto são verificar
que arranjo espacial e quais elementos da paisagem são necessários
para manter a diversidade biológica, por meio: i) da descrição
da história de fragmentação e regeneração
da paisagem; ii) da relação do tamanho dos fragmentos e dos
tipos de matrizes com a diversidade de espécies de alguns grupos
taxonômicos, incluindo árvores, primatas e aves; iii) da relação
entre a estrutura da paisagem e a presença/abundância de (meta)populações
florestais; iv) do estudo de processos ecológicos que determinam
a manutenção das (meta)populações, especialmente
aqueles relacionados com a influência da matriz circundante e da
conectividade florestal.
O projeto inclui nove sub-projetos que estudarão as mesmas paisagens
e o mesmo conjunto de fragmentos, por meio de objetivos complementares.
Serão realizadas análises em múltiplas escalas, enfocando
tanto a paisagem inteira como os fragmentos, incluindo informações
sobre os efeitos da matriz e dos corredores. Os estudos serão realizados
nos níveis populacional e da comunidade, sendo que uma grande variedade
de taxa será examinada (árvores, primatas e aves); serão
enfocadas espécies guarda-chuva e processos-chave, capazes de manter
alta biodiversidade. Diferentes teorias sobre ecologia da paisagem serão
testadas e alguns parâmetros da estrutura espacial da paisagem e
de qualidade dos habitats serão aplicados em modelos metapopulacionais,
principalmente o modelo de função de incidência.
Com o intuito de entender a estrutura atual da paisagem e sua história
de fragmentação e regeneração, dois tipos de
paisagens serão delimitados: um deles formado por uma matriz florestal
e o outro por uma matriz agrícola. Cada um dos tipos será
caracterizado de acordo com: i) a conectividade e a heterogeneidade da
paisagem, padrão de fragmentação florestal e isolamento
entre fragmentos (sub-projeto 1); ii) as características geomorfológicas
e pedológicas, bem como os principais geo-indicadores físicos
para quantificar a magnitude e velocidade de processos abióticos
chave (sub-projeto 2). Cada fragmento será classificado quanto:
i) tamanho; ii) heterogeneidade de eco-unidades florestais; iii) qualidade
ambiental interna e heterogeneidade das eco-unidades; iv) forma e efeitos
de borda; v) complexidade da borda; vi) grau de isolamento, conectividade
e potencial para (re)colonização; vii) idade e história
de regeneração, obtidas pela análise de fotografias
aéreas - 1962, 1973 e 1988 (sub-projetos 1 e 3).
Para relacionar os padrões de biodiversidade com o tamanho dos
fragmentos florestais e o tipo de matriz, doze fragmentos serão
estudados em detalhe, com respeito: i) a composição de espécies
e diversidade de árvores adultas (sub-projeto 3); ii) a composição
de espécies e diversidade de plântulas e de jovens de espécies
arbóreas (sub-projeto 7); iii) a abundância de seis espécies
de aves (sub-projeto 6); iv) a biomassa e a densidade de primatas (sub-projeto
5).
A influência da matriz e dos corredores no fluxo de sementes e
grãos de polen (sub-projetos 8 e 9), na regeneração
florestal (sub-projeto 7) e no movimento de algumas espécies de
aves (sub-projeto 6) será analisada mais detalhadamente em um número
menor de fragmentos.
O tamanho dos fragmentos e a conectividade serão relacionados
com os padrões de ocupação de manchas por espécies
mais e menos sensíveis a fragmentação para estimar
os riscos de extinção e potenciais para (re)colonização
de espécies. Trabalhando com espécies muito e pouco exigentes,
poderemos verificar quais as condições da paisagem que favorecem
a manutenção das espécies muito exigentes, bem como
verificar os tipos de paisagem que suportam apenas espécies pouco
exigentes. Nessa análise serão considerados de 50 a 60 fragmentos,
de 5 a 90 hectares, metade localizada na paisagem com matriz de regeneração
florestal e metade na paisagem com matriz agrícola.. Os organismos
cujo padrão de ocupação de manchas será considerado
são: i) seis espécies de aves (sub-projeto 6); ii) uma espécie
de palmeira endêmica da região (sub-projeto 4); iii) algumas
espécies de árvores (sub-projeto 3). A comparação
dos dois grupos de fragmentos (imersos nos dois tipos de matriz circundante),
em termos de tamanho, qualidade ambiental (sub-projeto 3) e atributos espaciais
(isolamento, conectividade, tipo de matriz) (sub-projeto 1) devem indicar
os fatores responsáveis pela permanência de uma dada espécie
na paisagem. Modelos de função de incidência serão
aplicados para analisar os padrões de ocupação de
manchas e para simular a ocorrência das espécies em diferentes
cenários relacionados com a evolução da paisagem.
Esse enfoque permitirá a identificação das melhores
condições de fragmentação para a manutenção
das espécies na paisagem por um longo tempo, assumindo que elas
comportam-se como metapopulações, o que fornecerá
as bases ecológicas para o manejo e a conservação
dos fragmentos de floresta nessa região.
Um dos principais resultados desse projeto será a geração
de uma base de dados com informações espacializadas sobre
a fisiografia regional, a estrutura e a dinâmica da flora e da paisagem,
além de publicações em revistas especializadas, artigos
de divulgação, materiais multimídia, como um CD-ROM
e uma base de dados on-line e um guia de identificação das
espécies arbóreas da região, direcionado a um público
não especializado, especialmente crianças das escolas da
região. |