Reino Animalia

FILO CHORDATA

Grego: chorde = corda
Que possui notocorda

Aves
Subfilo Vertebrata (Craniata)
Classe Aves

Número de espécies
No mundo: 9.700
No Brasil: 1.677
Estimadas no estado de São Paulo: 750
Conhecidas no estado de São Paulo: 738


Tangara seledon
(Emberizidae- saíra-sete-cores)
Foto: José Sabino

 

A diversidade ambiental do estado de São Paulo, com relevo e tipos distintos de vegetação, é a responsável por 750 espécies de aves aqui registradas, que representam aproximadamente 45% das espécies da a vifauna brasileira. Graças aos seus hábitos e comportamentos conspícuos, ocupação de hábitats variados e técnicas de estudo bem consolidadas, as aves são talvez o grupo de vertebrados mais bem conhec ido do estado, nos mais diferentes aspectos da sua biologia. A maior riqueza específica é encontrada no conjunto de ambientes que compõem a mata atlântica, seguido das matas semidecíduas e dos diversos tipos fisionô micos de cerrado que ocorrem no interior do estado. Outros ambientes menos representados no estado, como matas de araucária, banhados e manguezais, também apresentam um número considerável de espécies. Surpreendentemente , quase um quarto da avifauna paulista ocorre também em ambientes profundamente modificados pelo homem, como áreas de uso agropecuário, reflorestamentos, represamentos ou mesmo no interior das cidades. Infelizmente, essas mesmas modif icações ambientais são as responsáveis pela redução da diversidade das aves em São Paulo. Quase 20 espécies podem estar de fato extintas e outras 170 seriamente ameaçadas no estado. A caça e o comércio ilegal, embora tenham menor impacto na avifauna como um todo, são particularmente deletérios a alguns grupos de espécies, como os tinamídeos (macuco, nhambus), cracídeos (jacutinga, jacus, mutum) e diversos emberizídeos de canto apreciado (patativas, caboclinhos, curió, bicudo). Só a preservação efetiva dos ambientes ameaçados no estado, aliada a uma mudança de atitude e hábitos de parte da p opulação, poderá garantir a sobrevivência dessas espécies.

Neste processo, as unidades de conservação do estado deveriam desempenhar um papel-chave através da capacitação técnica de seu pessoal, habilitando-o a coletar informações sobre a avifauna que sir vam como subsídios a programas de monitoramento e gestão ambiental.

Algumas espécies não-florestais que hoje ocorrem em São Paulo aqui chegaram recentemente, aproveitando-se da substituição das florestas por plantações e pastagens, verificada principalmente no interior d o estado nas últimas décadas. Outras adaptaram-se à vida nas cidades, compondo um grupo peculiar de espécies que explora os novos recursos criados pelo homem. Também é para as cidades que afluem enormes bandos de andorinhas migratórias, compostos por espécies nativas e do hemisfério norte, um fenômeno já incorporado à rotina de várias cidades do interior.

Dentre as poucas espécies de aves que provocam danos econômicos comprovados em São Paulo, a pomba-avoante tem sido uma preocupação para os plantadores de soja dos vales do rios Paraná e Paranapanema. A formação de grandes colônias nessas regiões provavelmente é conseqüência do desequilíbrio ambiental que se seguiu à implantação de extensas monoculturas. A importância da avifauna também é evidente em alguns aspectos mais aplicados, como os estudos de impacto ao meio ambiente, onde listas de espécies são analisadas nas avaliações das condições ambientais.

São Paulo conta atualmente com vários ornitólogos espalhados por diversas instituições de ensino e pesquisa, que, juntamente com a melhoria da infra-estrutura das principais coleções ornitológicas , formam a base necessária para o desenvolvimento de programas de gerenciamento da biodiversidade no estado.

 

 

 

BASES PARA O DIAGNÓSTICO E O MONITORAMENTO DA BIODIVERSIDADE DE AVES NO ESTADO DE SÃO PAULO

Wesley Rodrigues Silva
Departamento de Zoologia, IB, UNICAMP
CEP 13083-970, Campinas, SP
Email: wesley@unicamp.br

  1. Introdução
  2. As aves são tradicionalmente um dos grupos mais bem estudados de vertebrados, devido principalmente aos seus hábitos diurnos e conspícuos, comunicação sonora e ocupação de hábitats variados, sem falar na capacidade de vôo, atributo que tem exercido um fascínio milenar na engenhosa mente humana, imortalizado no lendário sonho de Ícaro. Por esta razão, não é de se admirar que a pesquisa ornitológica tenha atingido um grau avançado de desenvolvimento em todo o mundo, com evidentes reflexos no Brasil e mais particularmente em São Paulo.

    A crescente preocupação mundial com a biodiversidade, ratificada solenemente na conferência Eco-92, culminou com a criação dos instrumentos políticos que têm determinado o rumo e as conseqüências de uma boa parte das pesquisas botânicas e zoológicas sob esta perspectiva. É nesse contexto que esta nossa contribuição pretende dimensionar o potencial representado pela avifauna paulista no "mercado" dessa nova moeda internacional (biodiversidade), destacando a necessidade de uma atitude pragmática e responsável no que concerne ao conhecimento, utilização e preservação deste importante patrimônio biológico

  3. Histórico
  4. O conhecimento da ornitofauna paulista não se deu de modo isolado e independente, visto que enquadra-se no cenário mais amplo das expedições zoobotânicas que varreram o território nacional, p rincipalmente a partir da abertura dos portos do Brasil às nações amigas, promovida por D. João VI, em 1808. Nomes como Langsdorff, Sellow, von Wied, Delalande, Natterer, Spix, Descourtilz, Euler e outros, muito contribuí ;ram para prover as bases sistemáticas da ornitologia brasileira, através de extensivas coletas de material e observações de campo realizadas ao longo do século XIX (Sick, 1997). Amparados pelos governos de seus países de origem ou pela coroa brasileira, alguns em curta permanência e outros se radicando definitivamente no Brasil, estes naturalistas nos legaram um quadro vívido do que era a biodiversidade da avifauna brasileira em seus relatos ou ilust rações, muito embora a maior parte desse material, incluindo muitos espécimes-tipos, tenha sido encaminhada aos museus americanos e europeus.

    Foi somente com a chegada de Hermann von Ihering ao Brasil, em 1880, que a ornitologia paulista começou a ganhar contornos próprios. Ihering foi convidado a dirigir o Museu Paulista a partir de 1894, permanecendo neste car go durante 25 anos. De formação naturalística bastante eclética, Ihering dedicou-se à pesquisa sistemática, biológica e biogeográfica, trabalhando simultaneamente com plantas, invertebrados e vertebr ados. Foi talvez um dos primeiros a apontar a necessidade de medidas conservacionistas em relação às aves brasileiras, através da adoção de leis que regulamentavam a sua caça e proteção. Sua a ssociação com competentes coletores profissionais, entre os quais destacaram-se Ernst Garbe e João Lima, permitiu uma ampliação considerável da coleção de aves do Museu Paulista.

    Mas foi, sem dúvida, na pessoa de Olivério Pinto que a ornitologia paulista experimentou sua fase mais florescente. Ingressando no Museu Paulista em 1929, Olivério Pinto dedicou-se à organização sistematizada da coleção de aves, mantendo também um programa de expedições científicas a várias regiões do Brasil, além de fomentar intercâmbio com instituições congêneres estrangeiras. Seu profundo conhecimento de sistemática e biogeografia ajudou-o a produzir um dos marcos da ornitologia brasileira: o "Catálogo das aves do Brasil", sendo o primeiro volume (Rheidae a Rhinocryptidae) publ icado em 1938 (reeditado em 1978) e o segundo em 1944 (Cotingidae a Fringillidae), este último já após a transformação do Museu Paulista em Departamento de Zoologia da Secretaria da Agricultura do governo paulista. Este minucioso trabalho baseou-se nos espécimes depositados na coleção de aves que Olivério Pinto listou, acrescentando seus comentários esclarecedores, até hoje fonte de consulta obrigatória para todos os que s e interessam pela ornitologia brasileira. Infelizmente, a ocorrência em território paulista de muitas das espécies relacionadas no trabalho de Olivério Pinto resume-se hoje ao testemunho de espécimes taxidermizados deposi tados nos armários da Seção de Aves do atual Museu de Zoologia da Universidade de São Paulo.

    Mais recentemente, outros nomes também se destacaram como responsáveis pelo progresso verificado no estado atual de conhecimento da avifauna paulista, notadamente na segunda metade deste século, tais como Hél io Camargo (Museu de Zoologia da USP) e Werner Bokermann (Setor de Aves da Fundação Parque Zooloógico de São Paulo), este último falecido em 1995.

  5. Número de espécies registradas
  6. Calcula-se hoje em torno de 9.700 o número de espécies viventes de aves do planeta. A América do Sul possui cerca de 3.200 espécies (Sibley & Monroe, 1990). Destas, 1.677 são registradas para o Brasil (Sick, 1997) e 738 para o estado de São Paulo. A estimativa para o estado de São Paulo é de que algo em torno de 750 espécies, aproximadamente 45% da avifauna brasileira, estejam aqui representadas. A lista das aves do estado preparada para este workshop resultou em 738 espécies distribuídas em 70 famílias. A classificação e a nomenclatura adotadas para a sua composição basearam-se, com poucas exceções, em Sick (1997).

  7. Hábitats ocupados e padrões biogeográficos
  8. Na análise da distribuição por hábitats adotou-se a classificação utilizada no Mapa da Vegetação do Brasil (IBGE, 1988), com ligeiras modificações. Procurou-se as sociar cada espécie aos tipos de hábitat em que seria mais comumente encontrada. O conceito aqui utilizado para "hábitat" é principalmente fisionômico e de larga escala, não se considerando a composiçã ;o florística e suas variações entre as diferentes unidades. O número e a porcentagem de ocorrência por hábitat das 738 espécies listadas para o estado acham-se na Tabela 1. Como uma determinada espéc ie pode ocorrer em mais de um tipo de hábitat, a soma do número de espécies ultrapassa o total de 738 e a das porcentagens ultrapassa 100%.

    Como seria esperado para um estado com vocação nitidamente florestal, a grande maioria das espécies está associada a pelo menos um tipo fisionômico deste ambiente, principalmente mata atlântica e mata mesófila. Juntos, estes dois biomas abrigam aproximadamente dois terços da avifauna do estado, numa clara demonstração de sua enorme importância na preservação da biodiversidade da avifauna paulista.

    Tabela 1. Distribuição por hábitats das espécies de aves do estado de São Paulo.

    Hábitats

    número de espécies

    % do total de espécies

    mata atlântica (floresta ombrófila densa)

    326

    44,1

    mata de araucária (floresta ombrófila mista)

    111

    15,0

    mata mesófila (floresta estacional semidecídua)

    248

    33,6

    mata ciliar (comunidade aluviais)

    79

    10,7

    cerradão (savana florestada)

    86

    11,6

    cerrado s.s (inclui campo cerrado, campo sujo, campo limpo)

    150

    20,3

    campos de altitude

    22

    3,0

    brejos, banhados, lagos, rios

    143

    19,3

    restinga

    15

    2,0

    manguezal

    12

    1,6

    orla marítima

    66

    8,9

    ambientes antropizados (rurais e urbanos)

    178

    24,1

     

    A mata atlântica em território paulista caracteriza-se por um complexo vegetacional com diferenças nítidas de fisionomia e composição florística, em função principalmente das variações impostas pela combinação de clima, solo e topografia. O setor norte deste bioma, também conhecido como Serra do Mar, possui afinidades com a mata atlântica que se estende até o litoral do nordeste , abrigando apenas algumas das espécies endêmicas das áreas de maior altitude das serras dos Órgãos e da Mantiqueira. Já o tronco sul, formado pela Serra de Paranapiacaba, recebe a influência das matas subtro picais com araucária, porém sem muitas espécies endêmicas desta formação particular, e também sem alguns elementos característicos das porções setentrionais das serras do Mar e da Mantiq ueira (Vielliard & Silva, no prelo). Historicamente, a mata atlântica é o ambiente que mais contribuiu para o conhecimento da diversidade da avifauna no estado, com coletas extensivas realizadas em certas localidades, hoje substituí ;das por levantamentos baseados em identificação visual e acústica, ou ainda em captura, marcação e soltura de espécimes. Apesar deste fundamento, a mata atlântica ainda representa um grande desafio ao enten dimento dos padrões biogeográficos e ecológicos da sua avifauna.

    A outrora extensa mata mesófila semidecídua, que cobria grande parte do interior, é talvez o ambiente mais fragmentado do estado devido à ocupação agrícola de seus solos férteis e relativamente planos. Em algumas regiões foi praticamente devastada, criando descontinuidades de modo muito mais intenso do que o verificado na mata atlântica. Estudos recentes vêm demonstrando que não existe um padrão uniforme na composição específica da avifauna das matas semidecíduas do interior de São Paulo, devido talvez à ação conjunta de fatores históricos, climáticos e de processos estocásicos que levaram à fixação de algumas espécies e à eliminação de outras em determinadas regiões. O efeito da fragmentação deste ecossistema sobre a sua avifauna associada é um dos temas que têm despertado o interesse de vários ornitólogos do estado.

    As matas de araucária e os campos de altitude, que se distribuem na porção paulista da Serra da Mantiqueira (Campos do Jordão) e na Serra da Bocaina, embora pouco representados na paisagem do estado, abrigam alguns endemismos interessantes relacionados às regiões andina e argentina (Willis, 1996).

    Ambientes como as matas ciliares, no entanto, não apresentam uma estrutura de vegetação ou composição florística definidas para permitir o enquadramento de uma avifauna peculiar, pelo menos no e stado de São Paulo. Pelo contrário, sua avifauna é marcada por espécies oportunistas que freqüentam vegetação secundária e bordas de mata, de ampla distribuição geográfica. Assim m esmo, algumas espécies se destacam como estreitamente associadas a estes hábitats (Silva & Vielliard, no prelo). Hoje, em São Paulo, as matas ciliares acham-se reduzidas, em muitas regiões, a estreitas faixas de vegetação ao longo dos rios e margens de lagos e represas, poupadas do desmatamento que derrubou a mata outrora contígua. Esta situação é totalmente diferente da encontrada no Brasil central, onde as matas ciliares constitue m uma unidade com estrutura e florística próprias, numa paisagem predominantemente savanícola. A importância das matas ciliares no estado reside no fato de que atuam como corr edores de vegetação entre fragmentos de mata mesófila, ou ainda, graças ao seu caráter ecotonal, como fonte temporária de recursos para espécies dos ambientes circunvizinhos, sendo responsáveis pela manutenção da diversidade e dinâmica das comunidades de aves locais.

    A heterogeneidade espacial e fisionômica do cerrado em São Paulo é responsável pelo caráter relativamente diversificado de sua avifauna. Aproximadamente 30% das espécies da avifauna paulista pode m ser encontradas em cerradão ou em algum tipo de cerrado, e, embora muitas delas sejam também freqüentes em outros ambientes de estrutura não-florestal, pelo menos 30 são restritas ao cerrado sensu lato. Muitas man chas de tamanho variável de cerrado e cerradão no estado, a exemplo da floresta semidecídua, acham-se atualmente ameaçadas pela expansão agropecuária e habitacional, tornando necessária a realização de censos que caracterizem os elementos mais especializados e vulneráveis de sua avifauna.

    Ambientes particulares e espacialmente confinados, como as manchas de brejos e banhados, podem abrigar uma avifauna pouco diversificada mas com certo grau de especialização, sendo, entretanto, até agora pouco estuda dos. Por outro lado, a ocorrência de quase 20% das espécies do estado nesta categoria ambiental explica-se pelo fato de serem estes hábitats freqüentados também por várias das espécies dos ambientes circunvizi nhos (mata, cerrado, áreas antropizadas).

    Alguns hábitats litorâneos com baixas ocorrências de espécies, como a restinga e o manguezal, refletem o pouco esforço de observação realizado sobre sua avifauna, o que é agravado pe lo fato de que alguns destes hábitats estão tendo sua extensão drástica e rapidamente reduzida no estado. A restinga, por ter continuidade com a mata atlântica propriamente dita, deve possuir uma certa riqueza específica até agora subestimada nos levantamentos da avifauna. É recomendável que estes hábitats sejam objeto de melhor investigação quanto à sua composição em espécies e relação com os ambientes vizinhos.

    Um outro aspecto notável da biodiversidade da avifauna no estado é que quase um quarto das espécies adaptou-se, ou está se adaptando, às áreas de forte influência antrópica, tais co mo campos de cultura, reflorestamentos, ambientes ruderais e, principalmente, o ambiente urbano. Este fato deve ser analisado sob duas perspectivas. Por um lado, é fácil constatar que diversas espécies foram e estão sendo benef iciadas pelas alterações ambientais introduzidas pelo homem, aumentando com isso seus efetivos populacionais ou expandindo sua área de distribuição nestes ambientes, devido à abundância de novos recursos cri ado pelo homem (abrigo e alimento, por exemplo). Por outro lado, um bom número de espécies hoje registradas em ambientes antropizados pode representar deslocamentos erráticos de espécies vagantes, ou ainda indivíduos des alojados de seus hábitats naturais pela perturbação antrópica, este sim um sintoma preocupante, muitas vezes mascarado pela falsa idéia de uma avifauna diversificada num ambiente "acolhedor" (Willis, 1996).

    De um modo geral, o estado de São Paulo tem sido bem investigado do ponto de vista ornitológico. Talvez maior atenção deva ser dada aos inúmeros fragmentos de matas semidecíduas, c erradões e cerrados dispersos nas regiões norte e oeste do estado, e também à mata atlântica nas regiões limítrofes com os estados do Rio de Janeiro e do Paraná. Porém, mais importante que even tuais acréscimos de espécies são as avaliações das áreas de distribuição e do status populacional de diversas espécies sob risco de ameaça, como veremos a seguir.

  9. Espécies ameaçadas e estratégias de conservação
  10. No workshop sobre a fauna ameaçada do estado de São Paulo, realizado em São Carlos em dezembro de 1996, foi elaborada uma lista propondo o enquadramento de 192 espécies de aves dentro das categorias de am eaça definidas naquele encontro. O documento que sintetiza as conclusões do simpósio deverá ser publicado até o final de 1997, porém adiantamos aqui algumas considerações sobre a lista das aves ameaçadas no estado.

    Tabela 2. Número de táxons de aves no estado de São Paulo por categoria de ameaça (192 espécies mais 2 subespécies)1

    Categorias de Ameaça

    Número de Táxons

    provavelmente extinto

    22

    criticamente em perigo

    47

    em perigo

    36

    vulnerável

    59

    provavelmente ameaçado

    25

    não ameaçado

    05

    total

    194

    1. Baseado em dados não-publicados do workshop "Fauna ameaçada do estado de São Paulo", São Carlos, 1996.

    Dentro do conjunto dos táxons "provavelmente extintos" ou "criticamente em perigo" (as duas categorias mais sérias de ameaça) acham-se diversas espécies com status populacional atualmente descon hecido, mas cuja ausência ou escassez de registros recentes justificam sua inclusão nessas categorias. A maior parte delas ocorre nos hábitats "interioranos" do estado (mata mesófila, mata ciliar, cerradão, cerrado, brejo s e banhados), e não na mata atlântica, como seria de se esperar.

    Este fato, que já havia sido apontado por Willis & Oniki (1992), revela que o interior de São Paulo carece de medidas urgentes para reverter os efeitos de um longo processo de desmatamento e fragmentação, proporcionalmente muito mais agudo e intenso do que o verificado na mata atlântica, embora até agora esta última formação tenha sido o alvo da maioria dos apelos conservacionistas no estado. Aparentemente, mesmo as espécies de ambientes naturais mais abertos não estão conseguindo se adaptar à paisagem antrópica que hoje domina a maior parte do interior de São Paulo.

    Mesmo com uma menor proporção de espécies ameaçadas, algumas delas de grande notoriedade (jacutinga, rola-espelho), a mata atlântica paulista ainda é um ambiente merecedor de atençã o especial, seja pela sua heterogeneidade estrutural, seja pela diversidade de espécies que abriga. Mas também é preciso priorizar os poucos remanescentes de matas semidecíduas, matas ciliares e as diversas fisionomias de cerra do do interior do estado, cujo desaparecimento pode causar uma drástica redução na biodiversidade da avifauna paulista.

    Embora ilegal, a caça predatória ou de subsistência ainda continua a ser praticada em todo o estado, esta última principalmente nas regiões de baixa concentração de renda e pessoas, como a o longo das florestas litorâneas, e mais recentemente como resultado dos assentamentos no extremo oeste do estado (Pontal do Paranapanema). De solução complexa, o problema da caça não pode ser responsabilizado integralmen te pelo desaparecimento ou rarefação de determinadas espécies de seus ambientes naturais, que ocorrem muito mais como resultado direto da destruição dos hábitats nativos para a produção agropecuária. Igualmente nocivo às comunidades de aves que freqüentam os campos de cultura é o envenenamento provocado pela ingestão de sementes tratadas com pesticidas. As aves granívoras são as mais expostas a este prob lema, mas faltam estudos que identifiquem as espécies mais afetadas e qual o impacto resultante nas suas populações.

    A nosso ver, a ênfase da conservação da avifauna deve recair sobre o ecossistema em si, e não sobre uma ou outra espécie em particular que é parte do ecossistema ameaçado. Programas de con servação centrados em espécies-alvo podem até atrair vultosos recursos, mas correm o risco de subestimar a importância das demais espécies co-participantes do sistema, sejam elas animais ou vegetais, razão p ela qual recomendamos que recursos sejam aplicados no conhecimento da estrutura, dinâmica e preservação dos ecossistemas onde vivem nossas espécies ameaçadas.

    No processo de conservação de hábitats ameaçados, em muitos dos quais existem unidades de conservação estaduais, é fundamental a capacitação técnica de pessoal qualif icado para realizar um monitoramento eficiente de espécies da avifauna com atributos biológicos que se prestem à indicação das condições ambientais. Alguns grupos em especial - como frugívoros do sol o, insetívoros especializados de bambus ou de troncos e ramos - são particularmente adequados para este fim e podem ser identificados com relativa margem de segurança, tanto por sua plumagem como por vocalização, sem a n ecessidade de coleta.

    O treinamento formal de técnicos para a identificação destes e de outros grupos faunísticos não é algo logística e economicamente impossível. Nos países tropicais em que a r eceita de divisas depende em boa parte da conservação e uso sustentado de seus ambientes naturais, como, por exemplo, a Costa Rica, esses profissionais são reconhecidos e requisitados por entidades públicas e privadas. P ara isso é indispensável a publicação de bons guias de campo, a produção de fitas com gravações de cantos de aves e a realização de cursos de treinamento para identificaçã o e monitoramento de espécies silvestres, requisitos que os ornitólogos do estado têm condições de atender atualmente. Os próprios pesquisadores ou seus orientados geralmente permanecem por um curto p eríodo de tempo numa unidade de conservação, além de não cobrirem de modo regular e constante todas as unidades existentes no estado. Já a permanência de um técnico especializado em cada unidade, trar ia benefícios cumulativos ao monitoramento daquele ecossistema.

  11. Espécies invasoras, introduzidas, migratórias e de importância econômica
  12. De modo geral, espécies oriundas das áreas mais secas e semi-abertas que ocorrem ao norte e noroeste do estado têm tido maior sucesso nas recentes invasões e colonizações verificadas em São Paulo nas últimas décadas. Tais espécies, como a pomba-asa-branca Columba picazuro e a avoante Zenaida auriculata, têm se beneficiado do desmatamento em larga escala praticado no interior, principalmente para o estabelecimento de monoculturas e pastagens, encontrando uma paisagem similar àquela de suas regiões de origem (Willis & Oniki, 1987). Outras espécies ocorrem subespontaneamente fora de sua área natural de distribuição, provavelmente devido também à alteração ambiental, ou ainda à introdução deliberada ou não pelo homem, sendo este último o caso dos escapes de indivíduos mantidos em cativ eiro. Como exemplo citamos a caturrita Myiopsitta monachus, originária do sul do Brasil, e o periquito-de-asa-amarela Brotogeris chiriri, do Brasil central, ambos hoje com populações estabelecidas na cidade de São Paulo.

    A reintrodução de espécies nativas ainda é prática pouco difundida no estado, em parte devido às dificuldades para se monitorar os indivíduos soltos, à falta de uma base experiment al consistente e à falta de estudos que avaliem o impacto das reintroduções sobre as comunidades nativas. Excetuando algumas iniciativas isoladas, talvez o único programa de repovoamento em larga escala seja o desenvolvido na última década pela CESP nas áreas de mata inundadas pelo reservatório Paraibuna-Paraitinga, utilizando principalmente espécies de tinamídeos e cracídeos (Santiago, 1996). Uma prática usual condenável é a soltura inconseqüente, pela Polícia Florestal, de aves apreendidas no comércio ilegal ou doadas por instituições ou particulares. Estas aves podem pertencer a raças de outras regiões geográficas, ocasionando problemas de hibridação indesejáveis do ponto de vista taxonômico, ou serem portadoras de doenças letais à comunidade onde serão liberadas. Recomendamos a organização d e um programa de colaboração entre a comunidade acadêmica, as entidades estaduais do meio ambiente e a Polícia Florestal, para a orientação e controle dessa prática.

    A adaptação à vida urbana parece ser uma característica recente para muitas espécies de aves silvestres. Além daquelas que há muito tempo adquiriram hábitos sinantrópicos, c omo o urubu, o bem-te-vi, a andorinha, a corruíra e o tico-tico, outras estão gradualmente invadindo o ambiente urbano, tanto na periferia como nas praças centrais das grandes cidades (Argel-de-Oliveira, 1996). Embora não figur em na lista aqui elaborada das aves de São Paulo, o pombo-doméstico Columba livia, o pardal Passer domesticus e o bico-de-lacre Estrilda astrild são três espécies exóticas que há muito f oram introduzidas no ambiente urbano.

    Fenômeno também urbano é a concentração de andorinhas migratórias em algumas cidades do interior do estado, fato que recentemente vem tendo a cobertura regular da mídia. Essas grandes conc entrações são formadas tanto por espécies nativas como por espécies norte-americanas, e têm provocado reações distintas entre aqueles que querem protegê-las, por razões ecológicas ou estéticas, ou afugentá-las, por causa do transtorno causado (principalmente a sujeira das fezes). Recomendamos que seja efetivado um programa de estudos de monitoramento dessas concentrações, visando à coleta de infor mações de interesse científico, neste caso em colaboração com entidades de pesquisa de seus países de origem, bem como de educação ambiental junto às prefeituras das cidades envolvidas, visand o à tomada de medidas que garantam a proteção e, ao mesmo tempo, atenuem os efeitos insalubres da presença das andorinhas nestas cidades.

    Poucas são as espécies de aves, nativas ou exóticas, que tenham alguma importância econômica no estado de São Paulo. De modo geral, o interesse econômico é justificado quando a espécie possui potencial para gerar recursos provenientes de seu aproveitamento ou para consumir recursos na forma de danos materiais ou custos com medidas de controle. Nesta segunda condição enquadram-se algumas espécies com crescen te importância econômica no estado. Talvez a mais importante seja a pomba-avoante Zenaida auriculata, que teve um "boom" populacional favorecido pelo desmatamento maçico das regiões do planalto do interior, seguido da impl antação de monoculturas, principalmente milho, soja e cana-de-açúcar. A pomba-avoante tem sido alvo de estudos que visam ao seu manejo e controle nas áreas mais afetadas, os vales dos rios Paraná e Paranapanema (v er síntese em Vielliard et al., 1996, p. 125-134). Algumas espécies frugívoras também têm sido apontadas como daninhas a certas culturas (pêra, caqui, maçã, uva, pêssego) em algumas regiões do estado, porém não há estudos quantificando o suposto dano. Este assunto tem recebido pouca divulgação, talvez porque as técnicas tradicionais (e ilegais) geralmente consistem no envenenamento dos frugívoros, sendo poucos os fruticultores conscienciosos que tentam empregar técnicas não-letais às aves.

    Outro aspecto de crescente interesse econômico é o prejuízo provocado pelos resíduos (fezes, penas, ovos, material de ninho) de pardais, pombos-domésticos e andorinhas, nas unidades de produção industrial ou em locais que requerem elevado grau de assepsia, como os hospitais. Companhias de pequeno e grande porte têm procurado soluções técnicas para este problema, junto a empresas de vigilância sanitár ia ou de consultoria ambiental. Produtos químicos, na maioria importados, barreiras mecânicas e técnicas acústicas têm produzido resultados insatisfatórios e, não raras vezes, de elevado custo operacional.

    No que se refere à necessidade de avaliação faunística para a elaboração de estudos e relatórios de impacto de meio ambiente, destaca-se a importância das aves como um grupo de gran de potencial como indicador das condições ambientais. Listas de aves são apresentadas em quase todos os documentos, graças a sua facilidade de observação e identificação na natureza. É claro q ue o aumento desse mercado pode fazer proliferar os profissionais com capacidade e competência duvidosas, a não ser que as agências que avaliam estes documentos imponham critérios de extremo rigor científico para a sua ace itação definitiva. Recomendamos que sejam implementados programas de colaboração entre a comunidade técnico-científica e as agências estaduais responsáveis pelo gerenciamento das questões ambie ntais, de modo a garantir a qualidade final dos documentos e criar bancos de dados confiáveis, que permitam disponibilizar as informações sobre biodiversidade de aves para esta finalidade. Todos esses aspectos constituem campos promis sores à pesquisa ornitológica aplicada no estado de São Paulo.

  13. Recursos humanos
  14. Acreditamos que hoje existam profissionais em número suficiente e distribuídos pelas principais instituições de ensino e pesquisa do estado, para dar início e sustentação a um programa de biodiversidade da avifauna. Certamente os interesses, especialidades e condições de trabalho de cada um não são homogêneos, mas ajudam a compor um quadro de qualidade para a tarefa proposta.

    A formação de profissionais capacitados em ornitologia é um requisito indispensável para a manutenção e continuidade de qualquer programa de diagnóstico e monitoramento da biodiversidade. Em relação há 20 anos atrás, muito mais universitários estão orientando suas carreiras científicas para linhas de pesquisa que contemplam o estudo de aves, uma tendência, aliás, que se reflete em todo o país (Borges, 1995). Embora o enfoque ecológico-conservacionista exerça um fascínio considerável entre os jovens pesquisadores, conforme pode ser constatado nos resumos dos trabalhos apresentados nos úl timos congressos brasileiros de ornitologia, é necessário ressaltar a importância de um embasamento mais "clássico" na formação desses profissionais, com enfoques sistemáticos, biogeográficos e evolut ivos, sem os quais os estudos sobre biodiversidade podem ter seus resultados e aplicações comprometidos.

    Atualmente, a maior responsabilidade pela formação de recursos humanos com esta capacitação está nas mãos dos pesquisadores seniores instalados nas diversas instituições de pesquisa e ensino do es tado. Se, por um lado, muitos estão no pleno exercício de sua atividade de orientação, transmitindo sua experiência através de programas de iniciação científica, aperfeiçoamento e pós-graduação, outros estão aquém de suas reais possibilidades, talvez por limitações pessoais ou institucionais. Torna-se necessário reavaliar o potencial e as condições de cada um, de modo a acomodar a crescente demanda por orientação em ornitologia no estado.

    A seguir estão relacionados alguns pesquisadores, sediados ou não em instituições, cujas linhas de pesquisa estão direta ou indiretamente ligadas aos aspectos da biodiversidade das aves no estado de São Paulo.

    Tabela 3. Lista dos pesquisadores em ornitologia no estado de São Paulo e suas principais linhas de pesquisa.

    Nome

    Instituição

    Linha de Pesquisa

    Anita Wajntal

    Depto de Biologia, USP (SP)

    genética, conservação

    Carlos Yamashita

    IBAMA

    conservação

    Edwin O. Willis

    Depto de Zoologia, UNESP (Rio Claro)

    sistemática, ecologia

    Elizabeth Höfling

    Depto de Zoologia, USP (SP)

    anatomia, filogenia

    Fábio Olmos

    Instituto Florestal, SP

    conservação

    Frederico Lencioni Neto

    UNIVAP, Jacareí, SP

    desenho, sistemática

    Herculano Alvarenga

    Depto de Zoologia, USP (SP, dout.)

    paleontologia

    Jacques M. E. Vielliard

    Depto de Zoologia, UNICAMP

    sistemática, bioacústica

    José Carlos Motta Júnior

    Depto de Ecologia, USP (SP)

    ecologia

    Luis Elói Pereira

    Instituto Adolfo Lutz

    virologia

    Luiz Octávio M. Machado

    Depto de Zoologia, UNICAMP

    comportamento

    Mauro Galetti

    Depto de Botânica, UNESP (Rio Claro)

    ecologia, conservação

    Paulo Martuscelli

    C. P. 194, Peruíbe, SP

    conservação

    Reginaldo J. Donatelli

    Depto de Ciências Biológicas, UNESP (Bauru)

    anatomia, filogenia

    Ronald Ranvaud

    Depto de Fisiologia e Biofísica, USP (SP)

    fisiologia, migração

    Terezinha L. Coimbra

    Instituto Adolfo Lutz

    virologia

    Wesley R Silva

    Depto de Zoologia, UNICAMP

    ecologia

    Yoshica Oniki

    Depto de Zoologia, UNESP (Rio Claro)

    parasitismo

  15. Localização e infra-estrutura das principais coleções
  16. Adotando os critérios e recomendações estabelecidos pelo grupo temático de "infra-estrutura de coleções e acervos" do Workshop sobre Biodiversidade no Estado de São Paulo, realizado em Se rra Negra em julho/agosto de 1997, reconhecemos que as coleções científicas são a base para todo e qualquer estudo de biodiversidade. Aqui serão consideradas somente as condições gerais dos principais acerv os institucionais do estado.

    O Museu de Zoologia da USP detém o privilégio de ser talvez a mais completa coleção de aves do Brasil e é também parâmetro de referência para a biodiversidade da avifauna de São Paulo. No entanto, há limitações de ordem prática e burocrática que dificultam o acesso de pesquisadores àquela coleção. A falta de um ornitólogo experiente como curador é talvez uma das maiores dificuldades para explorar todo o potencial que a coleção representa. Por não ter um curador da área regularmente presente na instituição, as visitas de pesquisadores dependem de arranjos informais, onde o visitante arrisca-se a não ser atendido, sob o pretexto do menor imprevisto. A coleção tem material para permitir anos de trabalho a quem puder se dedicar a ela. Recomendamos fortemente a atuação de um curador, que procederia à informatização e reestruturação do acervo, tornando-o disponível à consulta da comunidade científica.

    Além do Museu de Zoologia da USP, nenhuma outra instituição pública têm coleções ornitológicas de grande porte no estado. As que mantêm coleções têm-nas principalmente por motivos didáticos ou como apoio a atividades específicas. Destas, as duas que merecem destaque são as seguintes:

    Museu de História Natural "Prof. Adão José Cardoso" (UNICAMP). Conta com cerca de 2.000 exemplares representando aproximadamente 500 espécies. As peles têm procedência diversa, mas uma boa parte é bem representativa da região de Campinas e outras localidades do interior do estado. Uma pequena parte da coleção destina-se a apoio didático. Atualmente está sendo feita a separação entre material didático e científico, para garantir melhor uso e preservação destes últimos. A coleção está informatizada e é possível atender com relativa presteza a consulta e visita de pesquisadores, inclusive realizando permuta e empréstimo de material.

    Seção de Vírus Transmitidos por Artrópodos, Instituto Adolfo Lutz. Também possui cerca de 2.000 exemplares, correspondendo a aproximadamenete 500 espécies. A finalidade da coleção é fornecer treinamento na identificação de aves por parte dos técnicos que trabalham no Serviço de Virologia e atuam no programa de controle de arboviroses que o IAL desenvolve há anos na mata atlântica. A coleção é bastante representativa da avifauna do Vale do Ribeira e está disponível à visita de pesquisadores. Necessita, contudo, de melhor infra-estrutura (armários e informatização).

    Também recomendamos que este programa contemple um cadastramento centralizado dos acervos públicos do estado, padronizando as informações através de um banco de dados informatizado, gerenciado por ornitólogos experientes. Paralelamente a esta iniciativa, deveria ser preparado um catálogo ou lista anotada das aves de São Paulo, devidamente ilustrado e com todas as informações básicas atualmente disponíveis para as espécies, talvez na forma de um projeto temático conduzido por algumas instituições com forte tradição em ornitologia. Considerando que as aves são vertebrados muito utilizados como indicadores ecológicos, uma obra como essa seria um útil subsídio a programas de conservação e manejo dos ecossistemas paulistas, e uma ferramenta indispensável ao gerenciamento da biodiversidade desse grupo no estado.

  17. Bibliografia consultada
  18. Argel-de-Oliveira, M.M. 1996. Aves urbanas. In: Vielliard, J., Silva, M.L. da & Silva, W.R. (eds.) 1996. Anais do V Congresso Brasileiro de Ornitologia. Campinas, Ed. da Unicamp, p. 151-162.

    Borges, S.H. As teses de pós-graduação produzidas no Brasil na área de ornitologia entre 1970 e 1991. Ararajuba 3: 33-36.

    Collar, N.J., Gonzaga, L.P., Krabbe, N., Madroño Nieto, A., Naranjo, L.G., Parker III, T.A. & Wege, D.C. 1992. Threatened birds of the Americas. ICBP, Cambridge.

    IBGE. 1988. Mapa da vegetação do Brasil. Escala 1: 15.000.000. Rio de Janeiro.

    Olmos, F., Martuscelli, P., Silva e Silva, R. & Neves, T.S. 1995. The sea-birds of São Paulo, southeastern Brazil. Bull. B.O.C. 115: 117-128.

    Ridgely, R.S. & Tudor, G. 1989. The birds of South America. Vol. 1. Austin, Univ. Texas Press.

    Ridgely, R.S. & Tudor, G. 1994. The birds of South America. Vol. 2. Austin, Univ. Texas Press.

    Santiago, W.T.V. 1996. O programa de reintrodução da CESP em Paraibuna, SP. In: Vielliard, J.; da Silva, M.L. & Silva, W.R. (eds.) 1996. Anais do V Congresso Brasileiro de Ornitologia. Campinas, Ed . da Unicamp, p. 114-116.

    Schauensee, R.M. de 1982. A guide to the birds of South America. 2 ed. Pennsylvania, Livingston.

    Sibley, C.G. & Monroe, B.L. 1990. Distribution and taxonomy of birds of the world. New Haven, Yale University Press.

    Sick, H. 1985. Ornitologia brasileira. Brasília, Ed. Univ. de Brasília.

    Silva, W.R. 1992. As aves da Serra do Japi. In: Morellato, L.P.C. (org.) História natural da Serra do Japi. Campinas, UNICAMP/FAPESP, pp. 238-263.

    Silva, W.R. & Vielliard, J.M.E. Avifauna de mata ciliar. In: Leitão-Filho. H.F. & Rodrigues, R.R. (orgs.). Matas ciliares: estado atual do conhecimento. Campinas, Ed. da Unicamp. (no prelo).

    Vielliard, J.M.E. & Silva, W.R. Avifauna. In: Fundação Florestal. Intervales. São Paulo, p. 165-188.

    Vielliard, J., Silva, M.L. da & Silva, W.R. 1996. Anais do V Congresso Brasileiro de Ornitologia. Campinas, Ed. da Unicamp.

    Willis, E.O. 1979. The composition of avian communities in remanescent woodlots in southern Brazil. Pap. Avulsos Zool. 33: 1-25.

    Willis, E.O. 1996. Estimating diversity in brazilian birds: in the Mantiqueira range. In: Bicudo, C. E. M. & Menezes, N. A. (eds.) Biodiversity in Brazil, a first approach. São Paulo, CNPq.

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    Willis, E.O. & Oniki, Y. 1985. Bird specimens new for the State of São Paulo, Brazil. Rev. bras. Biol. 45: 105-108.

    Willis, E.O. & Oniki, Y. 1987. Invasion of deforested regions of São Paulo state by the picazuro pigeon, Columba picazuro Temminck, 1813.

    Willis, E.O. & Oniki, Y. 1992. Losses of São Paulo birds are worse in the interior than in Atlantic forests. Ciência e Cultura 44 (5): 326-328.

    Willis, E.O. & Oniki, Y. 1993. New and reconfirmed birds from the State of São Paulo, Brazil, with notes on disappearing species. Bull. B.O.C. 113: 23-34.



Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo, FAPESP
Centro de Referência em Informação Ambiental, CRIA