Série Biodiversidade do estado de São Paulo
Como classificar os organismos vivos?
Antes do advento da genética moderna, os seres vivos eram
divididos conforme suas características é o que chamamos de Taxonomia
( do grego taxon, categoria, grupo e nomos, conhecimento).
Na Grécia antiga, o filósofo Aristóteles classificava
os organismos conforme o ambiente em que eles viviam (aéreos, terrestres
e aquáticos); Santo Agostinho (no século IV) classificou
os animais em úteis, nocivos e indiferentes ao homem. Foi a partir
do Renascimento que os cientistas passaram a classificar os organismos
conforme suas características intrínsecas, não mais
com critérios externos a eles.
Um dos mais importantes naturalistas (século XVIII) foi Karl
vonáLinné, ou Linnaeus. Ele publicou, em 1735, o livro Systema
Nature onde propunha um sistema de classificação de todos
os organismos baseado nas suas semelhanças. Esse sistema foi muito
aceito até o século XIX, e continua servindo de base para
o pensamento de toda a taxonomia e as ciências biológicas
atuais.
O Sistema de Linnaeus utiliza duas categorias para designar cada tipo
de organismo: gênero e espécie. A língua
utilizada nessas categorias é o Latim. É o sistema de nomenclatura
Binomial (= "dois nomes" em latim). O gênero é uma categoria
mais abrangente, que inclui várias espécies. Além
dessas duas categorias, Linnaeus criou outras, ainda mais abrangentes,
que se organizam da seguinte forma:
Reino > Filo > Classe > Ordem > Família > Gênero > Espécie
Apesar da forma de classificação de Linnaeus continuar
basicamente a mesma, a base do pensamento mudou muito. Para Linnaeus e
os cientistas de sua época, a taxonomia tinha um fim em si mesma:
servia para demonstrar a ordem inerente e inalterável da Criação
Bíblica. Por essa perspectiva, dedicar a vida a decrever e nomear
de forma precisa todos os organismos era um ato religioso, pois mostrava
a extrema complexidade da vida criada por Deus.
Essa visão
estática da natureza foi modificada aproximadamente na metade do
século XIX por um pequeno número de cientistas (naturalistas)
radicais, o mais conhecido foi Charles Darwin. Ele coletou evidências
conclusivas de que uma evolução das formas de vida havia
ocorrido. Além disso, propôs a "seleção natural"
como o mecanismo responsável por essas mudanças.
A partir da aceitação da teoria de Darwin, a classificação
biológica passou a ser entendida, por muitos cientistas, como o
reflexo das distâncias evolucionárias e das relações
entre os organismos.
Todas essas definições e as idéias que são
colocadas a seguir, geram muita controvérsia no meio científico
não podendo, portanto, ser admitidas como "verdade absoluta", mas
como uma das formas de se enxergar a situação.
Filogenia, cladística e cladogramas...
A Sistemática é o estudo da diversidade e das relações
de descendência dos organismos. Alguns critérios são
utilizados para
essas relações: a totalidade de semelhanças, as semelhanças
ecológicas e, em alguns, casos, as semelhanças filogenéticas.
A Filogenia é o estudo das relações evolutivas
entre os organismos, as linhagens (linhas de descendência) produzidas
na história evolucionária desses organismos.
A Cladística é um método utilizado para tentar
achar as relações de parentesco entre os organismos. Atualmente,
é aceito como o melhor método disponível para a análise filogenética
por produzir explicações e hipóteses possíveis
de serem testadas.
A idéia básica por trás da Cladística é
que membros de um determinado grupo de organismos dividem uma história
evolucionária comum, e são mais "aparentados" entre si do
que com membros de outros grupos.
A idéia central da análise filogenética é a hipótese
da existência de relações de parentesco entre os diferentes
grupos de organismos. Essa hipótese é representada nos Cladogramas.
Os cladogramas são, portanto, diagramas do resultado da análise
cladística dos organismos estudados: mostram a hipótese de
descendência e ancestralidade desses grupos tentando encontrar as
características que os unem ou os separem.
Domínios?!? Reinos?!?
Em 1969, o zoólogo Robert Whittaker classifcou os organismos
baseado , principalmente, na sua morfologia (isto é, seu aspecto
externo) e dividiu-os em 5 Reinos:
Monera : inclui os organismos procariontes
Protista : os protozoários (seres eucariontes, unicelulares
e heterótrofos) e as algas (eucariontes, uni ou pluricelulares e
autótrofos fotossintetizantes com pouca diferenciação
das células)
Fungi: os fungos, uni ou pluricelulares, heterótrofos e que
não possuem tecido organizado.
Plantae (ou Metaphyta): os vegetais, seres eucariontes, multicelulares,
que possuem clorofila e tecidos organizados (algas, briófitas, pteridófitas,
gimnospermas e angiospermas)
Animallia (ou Metazoa): todos os animais, seres eucariontes, multicelulares,
e heterótrofos.
Em 1971, Lin & Margulis sugerem um novo Reino, o Chromista
(ou Stramenopila). O nome Chromista significa "colorido" e, embora alguns
chromistas não tenham cor, a maioria é fotossintetizante.
Apesar de serem fotossintetizantes, não são intimamente relacionados
às plantas nem às algas pois possuem um tipo diferente de
Clorofila (clorofila c) e carregam outros pigmentos não encontrados
nas plantas.
Em 1978, Carl Woese sugeriu uma nova classificação, não
mais baseada na morfologia dos organismos, mas na estrutura do RNA ribossômico
dos organismos.
Por essa classificação, os organismos têm dois tipos
diferentes de células: procariontes e eucariontes. Os organismos
procariontes são divididos em dois domínios: os Bacteria
e os Archaea (que diferem na composição do RNA ribossômico,
na estrutura da parede celular e no metabolismo). Os eucariontes são
todos agrupados no Domínio Eukarya que compreende, portanto,
os Reinos Protista, Chromista, Fungi, Plantae e Animallia (Perry &Staley,
1997).
E os vírus?!?!?
Os vírus são os únicos seres vivos acelulares.
Sendo assim, eles não se enquadram em nenhum tipo de classificação,
como as explicadas acima, que tem como base a estrutura da célula.
Bibliografia utilizada:
-
Amabis, J. M. & Martho, G. R. Biologia dos organismos: classificação
estrutura e função nos seres vivos. Editora Moderna, São
Paulo. 1995
-
Perry, J. J. & Staley, J. T. Microbiology: Dinamics and Diversity.
Saunders College Publishing, USA. 1997
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