Desde o seu início, em 1999, o Biota conta com um Comitê Científico que articula os projetos e os objetivos do Programa. O grupo, composto por cinco pesquisadores de diferentes universidades e instituições de pesquisa paulistas, passa por renovações periódicas, mantendo sempre a representação da diversidade de linhas de pesquisa do Programa.
Esse Comitê tem como tarefas avaliar a adequação das solicitações de participação no Programa; induzir a pesquisa científica por meio de editais, selecionar as bancas de avaliação, elaborar seu planejamento estratégico e promover sua interação com parceiros nacionais e internacionais, setores governamentais, empresas e ONGs. Busca, também, fomentar a integração e a divulgação dos projetos vinculados ao Biota.
Ao longo de 2025, Simone Vieira (NEPAM/Unicamp) e Jean Paul Metzger (IB/USP) deixaram seus postos, assim como o pesquisador Alexander Turra (IO/USP), que passou a compor o Comitê de outro Programa estratégico da Fapesp: o PROASA (Programa Fapesp para o Atlântico Sul e Antártica ).
É muito importante registrar aqui um agradecimento à contribuição desses pesquisadores para o Biota e, em especial, para a concepção do Plano Estratégico de Ação do Programa Biota 2030. A visão de uma ciência da biodiversidade integradora, socialmente relevante, que contribui efetivamente para estratégias de governança, gestão, uso sustentável e conservação da biodiversidade, é uma característica marcante das pessoas que contribuíram para os 27 anos de sucesso do Programa.
No início de 2026, Maurício Bacci Júnior (IB/UNESP Rio Claro), Pio Colepicolo (IQ/USP) e Thomas Lewinsohn (IB/Unicamp) se juntaram às pesquisadoras Letícia Costa-Lotufo (ICB/USP) e Gabriela Di Giulio (FSP/USP), que já compunham o Comitê. Conheça, a seguir, um pouco sobre os novos integrantes.
Maurício Bacci: “Enfrentar o desafio da análise de grandes dados na ciência da biodiversidade”

Graduado em Farmácia e Bioquímica e com Mestrado e Doutorado também na área de Bioquímica na Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (USP), Maurício Bacci ingressou como docente na Unesp de Rio Claro ainda no doutorado para pesquisar, do ponto de vista bioquímico, como as formigas utilizam enzimas fúngicas para degradar folhas e obter nutrientes, o que poderia levar ao desenvolvimento de produtos para o controle desses insetos.
A continuidade do trabalho o levou a Massachusetts (USA) no final dos anos 1990, onde focou na pesquisa da taxonomia e evolução molecular, aprendendo técnicas de sequenciamento de DNA que começavam a revolucionar a biologia. De volta ao Brasil, integrou o Projeto Genoma da FAPESP, atuando no sequenciamento do transcriptoma da cana-de-açúcar. O trabalho com o sistema de relações entre microrganismos, fungos e formigas continua e é nesta temática que Maurício Bacci participou em dois projetos dentro do Programa Biota. Hoje o pesquisador faz parte do Centro de Pesquisa em Biodiversidade e Mudanças Climáticas (CBioClima), no qual participa da linha de pesquisa em microbiomas e soluções sustentáveis. Entre as temáticas investigadas estão a biofertilidade do solo, a análise dos microorganismos associados às formigas Attini e às abelhas nativas (como a Jataí, por exemplo) e o impacto dos ambientes agrícolas e urbanos nessa comunidade microbiana.
Além disso, Maurício Bacci integra a Gerência de Colaborações em Pesquisa da Fapesp e recebeu o convite para compor o Comitê do Programa Biota com surpresa. “Eu fiquei surpreso, mas muito satisfeito em poder contribuir. Acredito que posso fazer essa ponte entre essa área de colaborações e de internacionalização da Fapesp e o Programa Biota, auxiliar a construir uma abordagem dentro do Programa para enfrentarmos o gargalo da análise de dados na pesquisa em biodiversidade, já que com novas técnicas os dados ficam cada vez mais massivos. E também na questão da aplicabilidade das pesquisas para a inovação, que é algo que tenho muito interesse e alguma experiência”, reflete o pesquisador.
Pio Colepicolo: “A ideia principal é agregar”

As algas são foco da carreira de pesquisa de Pio Colepicolo. Químico de formação (IQ-UNESP Araraquara), com doutorado em bioquímica (IQ-USP), pós doutor na Harvard University (5 anos) e na Université de Paris (CNRS), e atualmente docente do Instituto de Química da USP, ele já teve diversos projetos vinculados ao Programa Biota e ao Programa Antártico Brasileiro abordando diferentes aspectos relacionados às algas marinhas, como diversidade, distribuição, bioprospecção, inovação e trabalho com comunidades pesqueiras para a produção de algas.
Atualmente, Pio Colepicolo possui um projeto vinculado ao recém lançado Programa Fapesp para o Atlântico Sul e Antártica (PROASA) sobre biodiversidade, monitoramento, estratégias de sobrevivência e prospeção de macroalgas diante das mudanças climáticas. “A minha satisfação como cientista foi muito grande durante a minha carreira, pois eu consegui conhecer muitas coisas importantes sobre organismos que são fundamentais para a sobrevivência dos oceanos”, explica o pesquisador, “eu coordenei grandes projetos e grupos de pesquisa que deram muita mobilidade para pesquisadores e estudantes, em especial, para a Antártica, com treinamento de coletas e pesquisas em temperaturas baixas”.
“Eu me sinto muito honrado e orgulhoso de participar do Comitê do Programa Biota com nossos colegas que estão nesse momento e acredito que este é um dos programas mais exitosos da Fapesp”, comenta Pio Colepicolo, “acredito que a ideia principal é agregar, eu quero ver o Biota crescer em vários patamares, fortalecer a interação com PROASA e outros Programas da Fapesp e que mais gente submeta projetos e mais grupos possam ser financiados para que todos possam crescer juntos”.
Thomas Lewinsohn: “A verdadeira inovação depende da sustentação da pesquisa básica”

A participação de Thomas Lewinsohn no Biota começou antes mesmo do Programa ser criado oficialmente: o pesquisador participou do Grupo de Coordenação responsável por definir os objetivos e principais linhas de trabalho para a criação do que viria a ser o Programa Biota/Fapesp.
Professor Emérito da Unicamp, Thomas Lewinsohn se graduou em Biologia pela UFRJ e fez mestrado e doutorado na Unicamp, fazendo parte da primeira geração de ecólogos que fez toda a formação no Brasil. “Desde o mestrado me preocupo com questões do que, na época, nem se chamava ainda de biodiversidade: como ela é organizada, como funciona e como afeta os ecossistemas , relembra o pesquisador, que concentrou seus trabalhos de campo em interações de insetos e plantas. “Também desde cedo me preocupei com políticas públicas, buscando ampliar o escopo de programas de pesquisa para integrar a pesquisa básica com suas aplicações. Sempre compreendi que a pesquisa básica ancora as soluções aplicadas, ao mesmo tempo em que é realimentada pelas questões do mundo”. Primeiro presidente da ABECO (Associação Brasileira de Ciência Ecológica e Conservação), atualmente, Thomas Lewinsohn tem se engajado na integração da pesquisa fora dos eixos dominantes da ciência, participando da criação da Rede Latino-Americana de Ecologia.
“Recebi o convite para participar deste Comitê com grande satisfação. Vejo que o Programa está evoluindo junto com as mudanças da comunidade acadêmica e a maneira de fazer pesquisa, desde questões que envolvem a aplicação e o engajamento, da bioprospecção até implicações sócio-culturais-econômicas da biodiversidade e a incidência em diferentes âmbitos de decisão das políticas públicas”, explica o pesquisador, “espero que o Biota continue mantendo seu espectro muito amplo, pois a verdadeira inovação depende da sustentação da pesquisa básica, movida por curiosidade”.












