Mudanças na Biota Neotropica

Revista passa por reformulação na forma de recebimento de artigos, edições impressas e idioma dos artigos. E continua a garantir acesso livre ao seu conteúdo.

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capas da revista Biota Neotropica

Em seu 14o. ano de funcionamento a revista Biota Neotropica está passando por reformulações em função da parceria estabelecida com a rede Scielo. Por meio desta parceria, a revista se torna um dos destaques da Rede Biodiversity Heritage Library/BHL-SciELO, tendo a coleção completa (desde 2001) disponível para acesso livre no site da rede.

As principais mudanças dizem respeito à forma de recebimento e gerenciamento dos artigos, à extinção das edições impressas e à aceitação apenas de trabalhos em inglês a partir da primeira edição de 2014.

A primeira reformulação diz respeito à submissão de trabalhos. Desde agosto/2013 os trabalhos já estão sendo submetidos e gerenciados por meio do sistema Scholarone. O sistema exige pouca intervenção das pessoas que trabalham com a manutenção da revista para funcionar, explica Tiago Duque-Estrada, editor associado da revista, “o Editor Chefe continua a ter um papel essencial no processo de encaminhar os trabalhos para avaliação, mas tudo ficará bem mais rápido e simples para editores de área, avaliadores e, especialmente, autores. A média atual de tramitação dos artigos é de 8 meses, desde a submissão, passando pelo processo de avaliação até a publicação final”, destaca Tiago Duque-Estrada, “ainda não podemos garantir que esse prazo diminuirá, mas esta é a nossa meta”.

Lançada em 2001, a Biota Neotropica sempre esteve alicerçada na ideia do acesso livre ao conteúdo publicado, em consonância com os principais objetivos do Programa Biota/Fapesp. Foi pioneira no Brasil na implantação de um sistema em que autores custeiam parte dos custos de editoração, diagramação, produção de PDFs de alta qualidade e disponibilização gratuita destes PDFs para os leitores.

Até o final de 2013 estes recursos cobriam também a impressão, distribuição e depósito, em 20 bibliotecas de referência no Brasil e no exterior, das cópias impressas da revista. Estes exemplares impressos atendiam as exigências dos Códigos Nomenclaturais de organismos como as plantas e diversos grupos de invertebrados, nos quais apenas a publicação impressa era garantia do reconhecimento da autoria de novas espécies descritas. Com a modernização do Código Nomenclatural de Botânica em 2012 e as alterações em códigos de alguns grupos de invertebrados nos últimos anos, esta exigência deixou de ser obrigatória, passando a se reconhecer a autoria de espécies publicadas em formato digital. Consequentemente, a partir de 2014 a Biota Neotropica será publicada exclusivamente no formato eletrônico. A responsabilidade de verificar as exigências específicas do Código Nomenclatural de cada grupo de organismos passou a ser dos autores já que trabalhos que contenham descrição de novas espécies de grupos taxonômicos que ainda exigem a publicação impressa para o reconhecimento da autoria não mais poderão ser publicados na Biota Neotropica.

Na nova parceria com o SciELO muda também a forma de cálculo da taxa a ser paga pelos autores. A cobrança deixa de ser feita por página impressa para passar a ser por trabalho aceito. O valor cobrado – R$ 750,00 (setecentos e cinquenta reais) – cobre parcialmente os custos de produção de PDFs e manutenção dos sistemas de disponibilização “on line”, a diferença continuará a ser subsidiada com recursos do Programa BIOTA/FAPESP.

Um breve histórico da Biota Neotropica

O lançamento da revista Biota Neotropica está totalmente interligado com o crescimento do Programa Biota/Fapesp. Após a aprovação dos primeiros projetos, em 1999, logo uma questão foi levantada: onde e como publicar o resultado das pesquisas? Uma avaliação feita pela então Coordenação do Programa identificou que as revistas brasileiras de circulação internacional cobriam os temas relacionados a grandes grupos taxonômicos (por exemplo, a Revista Brasileira de Botânica e a Revista Brasileira de Zoologia), porém, remanescia uma lacuna para tratar de temas mais transversais e interdisciplinares englobados pela temática de caracterização, conservação e uso sustentável da biodiversidade. Nascia, assim, a Biota Neotropica, já com a ambição de abranger não apenas o resultado de pesquisas desenvolvidas no âmbito do Programa, mas sim de toda a Região Neotropical.

Uma atenção especial foi dada aos inventários de espécies, tipo de trabalho dificilmente aceito para publicação em revistas do exterior porque o interesse é local. Inventários, juntamente com Chaves de Identificação e Revisões Taxonômicas, são de fundamental importância para o avanço do conhecimento da biodiversidade.

Em 2001 foi publicado apenas um número, de 2002 a 2005, foram publicados dois números anuais. Em 2004/2005 a Comissão Editorial foi renovada e ampliada, incluindo pesquisadores de outros Estados e do exterior, o que tornou possível a indexação pelo SciELO em 2006 e o consequente reconhecimento pela CAPES. Com isso, o número de trabalhos submetidos cresceu exponencialmente sendo publicados três números em 2006 e 2007. Desde 2008 são publicados quatro números por ano, cada um com cerca de 40 trabalhos oriundos de todo o Brasil e de outros países da região Neotropical. A qualidade dos artigos publicados fez com que a revista passasse a compor as principais redes de troca e divulgação de trabalhos científicos em biodiversidade.

Visando a indexação pela Thomson Reuters/Web of Science, a partir de 2011 a Biota Neotropica passou a exigir que artigos, short communications e revisões temáticas fossem escritos em inglês e, para as demais categorias (inventários, chaves de identificação e revisão taxonômica) as Figuras e Tabelas tivessem títulos bilíngue português ou espanhol e, obrigatoriamente, em inglês. Estas exigências levaram a uma redução no número de trabalhos submetidos e publicados em 2012 (como mostra o gráfico acima), mas assegurou também a tão almejada indexação internacional.

Perspectivas futuras

Atingidos os objetivos inicialmente traçados para a Biota Neotropica, a nova meta é ter um fator de impacto superior a 1.0 dentro de 3 anos. As mudanças que estão sendo feitas a partir de 2014 já fazem parte deste planejamento e certamente trarão resultados nos próximos anos. Uma das novidades é a disponibilização “on line” imediata dos trabalhos a medida que estes forem sendo aprovados pelos assessores ad hoc, editores de área e editor chefe. Isto diminuirá o tempo total de editoração dos trabalhos, tornando a publicação mais ágil e aumentando seu tempo de exposição.

Neste sentido, a Comissão Editorial, juntamente com a experiente equipe do SciELO, está definido estratégias para ampliar a visibilidade da revista no exterior. A revista já é uma referência importante na América Latina mas é preciso ter uma presença mais forte em outras regiões do mundo. Afinal, o país que tem o privilégio e a responsabilidade de ser o número 1 dentre os países megadiversos precisa ter um periódico científico reconhecido internacionalmente como de alta de alta qualidade.

por Érica Speglich & Carlos A. Joly

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